Seis pilares sustentam a gestão de excelência em clínicas de diagnóstico por imagem

A transformação digital, a pressão por eficiência e o crescimento acelerado do mercado de diagnóstico por imagem estão exigindo uma nova postura dos profissionais que atuam na gestão dos serviços de saúde. Mais do que dominar equipamentos e protocolos técnicos, os gestores precisam integrar pessoas, tecnologia, qualidade assistencial e sustentabilidade financeira.
A avaliação foi feita pelo biomédico, engenheiro químico e professor Homero José de Farias e Melo durante a palestra “Desafios da Gestão de Clínicas de Imagem”, apresentada no Biomedicina in Santos.
Mestre em Ciências Radiológicas e doutor em Medicina (Radiologia Clínica) pela Unifesp, o docente defendeu que a excelência na gestão depende de seis pilares fundamentais: gente e experiência do paciente; sustentabilidade e eficiência operacional; saúde baseada em valor; qualidade, compliance e inteligência artificial; gestão baseada em indicadores; e integração tecnológica.
Para o palestrante, o paciente deve ocupar o centro das decisões estratégicas. Em um cenário de crescente concorrência, não basta oferecer tecnologia de ponta se a experiência do usuário for negativa.
Segundo ele, o sucesso de uma clínica depende da capacidade de integrar diferentes profissionais em torno de um objetivo comum: entregar um atendimento seguro, eficiente e humanizado.
Outro desafio apontado pelo especialista é manter a sustentabilidade financeira dos serviços diante do aumento contínuo dos custos operacionais.
Equipamentos de alta complexidade exigem investimentos elevados em manutenção, energia elétrica, infraestrutura e licenciamento de softwares, enquanto os valores pagos por convênios e sistemas públicos nem sempre acompanham essa evolução.
“Fazer gestão não é ser um resolvedor de problemas. É encontrar a causa raiz para que o problema nunca mais aconteça”, afirmou.
A lógica tradicional centrada no volume de exames vem sendo gradualmente substituída pelo conceito de saúde baseada em valor, que prioriza os resultados clínicos obtidos pelos pacientes.
Nesse modelo, o foco deixa de ser apenas a produtividade e passa a considerar indicadores relacionados à qualidade assistencial, segurança, resolutividade e satisfação do usuário.
A busca pela excelência também passa pela padronização dos processos e pelo fortalecimento das práticas de compliance.
O professor relatou situações em que diferentes profissionais utilizavam protocolos distintos para um mesmo exame, comprometendo a qualidade dos resultados e aumentando os custos operacionais.
“Uma radiografia repetida já gera prejuízo. A margem é tão pequena que, se repetir o procedimento, o serviço já está produzindo no vermelho”, alertou.
A inteligência artificial surge nesse contexto como uma ferramenta estratégica para aumentar a eficiência, auxiliar na priorização de casos críticos, otimizar fluxos de trabalho e apoiar a tomada de decisões clínicas.
Outro pilar destacado foi a utilização de indicadores de desempenho para orientar decisões gerenciais.
A integração entre sistemas e equipamentos também foi apontada como um dos principais desafios da área.
Segundo o palestrante, muitas instituições ainda convivem com plataformas que não se comunicam adequadamente, gerando retrabalho, atrasos e desperdícios financeiros.
Mercado em expansão
Durante a palestra, o docente também apresentou um panorama do setor de diagnóstico por imagem. O mercado brasileiro registrou aproximadamente um bilhão de exames em 2024 e possui perspectivas de crescimento contínuo, com estimativas que apontam para uma movimentação superior a US$ 1,8 bilhão até 2031.
A área já representa cerca de 11% das vagas de trabalho no segmento da saúde, impulsionada pelo envelhecimento populacional, pela ampliação do acesso aos exames e pela incorporação de novas tecnologias.
Nesse cenário, o biomédico assume papel cada vez mais estratégico. Para o professor, o profissional reúne características que o colocam em posição privilegiada para liderar equipes multiprofissionais e integrar aspectos técnicos, assistenciais e gerenciais.
“Nós somos a figura central, o camisa 10 que prepara a jogada, que integra o goleiro, a defesa e o ataque dentro do serviço”, destacou.
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