Saúde: CRBM1 orienta população sobre risco de transmissão do vírus Nipah
OMS e Ministério da Saúde avaliam medidas a partir de casos ocorridos na Índia e Bangladesh
O Conselho Regional de Biomedicina – 1ª Região (CRBM1) orienta a população sobre o risco de transmissão do vírus Nipah, após a confirmação recente de dois casos na Índia e um em Bangladesh. A partir de classificações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, a possibilidade de disseminação viral é considerada de baixo risco no Brasil.
A biomédica especialista em Imunologia, dra. Alessandra Iara de Oliveira Salloum, conselheira do CRBM1, relata que o vírus não apresenta transmissão sustentada no ar e a transmissão entre humanas ocorre, principalmente, por contato próximo, como secreções respiratórias, fluidos corporais ou em ambientes hospitalares sem controle adequado. “Não há evidências de transmissão comunitária contínua em larga escala. A avaliação da Organização Mundial da Saúde é correta do ponto de vista epidemiológico. Porém, não deve ser interpretada como indicativo de baixa relevância sanitária”, considera a dra. Salloum.
Ela enfatiza que há fatores de preocupação, destacando a alta taxa de letalidade, entre 40 e 75%, mesmo com baixa transmissibilidade. A conselheira cita ainda a ausência de vacina ou tratamento antiviral específico aprovado, a capacidade de mutação do vírus, e o histórico de surtos em países asiáticos.
Para a dra. Salloum, a vigilância epidemiológica deve ser reforçada, acompanhada de ações como diagnóstico laboratorial especializado, isolamento e controle de infecção, vigilância ambiental e animal, comunicação científica e capacitação, e cooperação internacional.
“A introdução do vírus Nipah exigiria uma resposta imediata, integrada e de alta complexidade. O vírus Nipah não é uma ameaça imediata ao Brasil, mas ele mostra como as doenças que vêm dos animais podem surgir quando há desequilíbrio ambiental”, finaliza a conselheira.
Cerca de 500 casos em quase 30 anos
A opinião é compartilhada pelo pediatra infectologista dr. Renato Kfouri, que apontou a confirmação de aproximadamente 500 casos de infecção do vírus Nipah desde o final da década de 1990.
Dr. Renato Kfouri é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, secretário do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de pediatria, médico do Crie Unifesp, membro do comitê técnico assessor do Programa Nacional de Imunizações, membro do grupo técnico assessor em doenças preveníveis por vacinas da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).
“Destes cerca de 500 casos, aproximadamente dois terços, entre 60 e 70%, resultaram em óbitos. Entretanto, está longe de se tornar um caso epidêmico ou pandêmico, como a Covid-19, porque tem baixíssima transmissibilidade e dificilmente chegará ao Brasil. A mensagem é tranquilizadora, porque não há nada que nos preocupe”, assegura dr. Kfouri.
Histórico e origem
O vírus Nipah tem como principal hospedeiro natural (reservatório) os morcegos frugívoros, que abrigam o vírus de forma assintomática. Eles eliminam o vírus pela urina, saliva, fezes e secreções respiratórias. Além dos morcegos, já foram identificados hospedeiros amplificadores, como suínos, e acidentais, como os seres humanos. A letalidade varia de 40% a 75%, dependendo da cepa viral, da via de infecção e da capacidade assistencial local.
A descoberta ocorreu entre 1998 e 1999, com o surto na Malásia e em Singapura. A partir de 2001, houve casos de surtos na Índia e Bangladesh. Os principais sintomas são fortes dores de cabeça, febre alta, alteração do nível de consciência, convulsões, insuficiência respiratória e falência múltipla dos órgãos.
Dr. Kfouri pontua que os dois casos recentes na Índia foram de profissionais da Saúde. “Até o momento, não há protocolo, desenvolvimento de vacinas e nem tratamento. A princípio, o que se deve fazer é quando um paciente apresentar quadro febril agudo, encefalite e mal-estar, e houver suspeita da procedência desses sintomas, investigar a origem e buscar o diagnóstico”, orienta.
Fonte: imprensa CRBM1
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