Pesquisa clínica amplia horizontes e revela novas oportunidades para biomédicos
As múltiplas possibilidades de atuação do biomédico na pesquisa clínica foram debatidas durante a mesa-redonda realizada neste sábado (6), no Biomedicina in Santos, no Santos Convention Center. Mediado pela pesquisadora Solange Amorim Nogueira, o encontro reuniu os especialistas Sergio Augusto Lopes de Souza, Camila Machado e Fernanda Ferreira Mendonça para discutir os caminhos da inovação científica e o papel estratégico da categoria no desenvolvimento de novas tecnologias para a saúde.
Ao abrir o debate, os participantes destacaram que a atuação do biomédico na pesquisa vai muito além das análises clínicas tradicionais, abrangendo desde o desenvolvimento de novos fármacos e radiofármacos até a pesquisa translacional, que transforma descobertas laboratoriais em tratamentos aplicados aos pacientes. A mensagem central foi a de que o profissional possui uma formação versátil, capaz de conectar diferentes áreas do conhecimento e impulsionar avanços científicos.
A trajetória de Fernanda ilustrou essa diversidade de oportunidades. Atualmente doutoranda na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, ela contou que sua intenção inicial era seguir carreira na neurociência. No entanto, durante a graduação e o contato com projetos de pesquisa, descobriu uma nova vocação na medicina nuclear e no desenvolvimento de radiofármacos para diagnóstico e tratamento de doenças, especialmente o câncer de mama.
Conforme Fernanda, a própria trajetória demonstra como a pesquisa científica pode abrir caminhos inesperados dentro da profissão. “Na medicina nuclear, criando um radiofármaco para fazer a imagem, você consegue encontrar algo antes mesmo de aparecer clinicamente. Eu achei isso incrível”, relatou.
Para ela, a construção dessa trajetória depende da iniciativa dos próprios estudantes em buscar experiências em laboratórios, congressos e grupos de pesquisa.
Pesquisa transacional
Souza destacou a importância da pesquisa translacional, responsável por transformar descobertas da bancada em soluções concretas para a população. Ele explicou que o desenvolvimento de novas terapias exige uma longa jornada científica, envolvendo estudos laboratoriais, testes em modelos animais e, posteriormente, ensaios clínicos em seres humanos. “Não é do nada. Existe toda uma metodologia até que aquilo possa chegar ao paciente com segurança”, afirmou.
Já a professora e empreendedora Camila Machado abordou o papel da imagem molecular e das novas tecnologias no enfrentamento do câncer. Segundo ela, o biomédico possui um diferencial importante por conseguir enxergar o processo de forma integrada, transitando entre áreas como biologia, química, física e medicina. Essa visão ampla permite atuar em equipes multidisciplinares e contribuir para o desenvolvimento de métodos capazes de identificar precocemente alterações celulares e acompanhar a resposta aos tratamentos.
Ao final da mesa-redonda, os palestrantes reforçaram que a pesquisa clínica representa uma das áreas mais promissoras para a Biomedicina nas próximas décadas. Em um cenário marcado pela inovação tecnológica, medicina personalizada e inteligência artificial, o biomédico surge como um profissional cada vez mais preparado para liderar projetos científicos, desenvolver novas soluções diagnósticas e terapêuticas e aproximar a ciência da prática assistencial.
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