Pacto de Proteção da Profissional Biomédica avança e deve chegar aos Conselhos Regionais e empresas
A ampliação do Pacto de Proteção da Profissional Biomédica para os Conselhos Regionais e, futuramente, para as empresas foi o principal tema debatido durante a reunião da Comissão Nacional das Mulheres, realizada neste sábado (6), dentro da programação do Biomedicina In Santos, no Santos Convention Center. O encontro foi conduzido pela presidente da comissão, Daiane Pereira Camacho.
Criado pelo Conselho Federal de Biomedicina (CFBM), o pacto tem como objetivo promover ambientes de trabalho mais seguros e acolhedores, especialmente para as mulheres, que representam cerca de 83% da categoria profissional. A iniciativa é baseada em quatro pilares: respeito e igualdade, tolerância zero ao assédio, sigilo e proteção às denunciantes e responsabilidade compartilhada entre profissionais, lideranças e instituições.
Durante a apresentação, a presidente destacou que o selo já está implantado no âmbito federal e que a próxima etapa será sua expansão para os Conselhos Regionais. Segundo ela, o desafio seguinte será alcançar as empresas e laboratórios registrados nos sistemas regionais, garantindo que os princípios do pacto estejam no cotidiano das profissionais biomédicas em todo o Brasil.
“A nossa próxima missão é chegar até as empresas, porque só assim vamos conseguir expandir o nosso selo. Senão, ele continuará apenas no Conselho Federal e não teremos alcance suficiente para levar essa proteção ao ambiente de trabalho”, afirmou.
Ela também ressaltou que a proposta vai além de uma campanha institucional. “Não é só uma bela imagem, mas sim um trabalho estruturado, construído para oferecer proteção e acolhimento.”
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de compreender o assédio como um problema coletivo e institucional. “Responsabilidade compartilhada significa entender que não é um problema da vítima. Muitas vezes, quando a mulher denuncia, acaba sendo questionada ou desacreditada. Precisamos mudar essa lógica”, afirmou.
A dirigente ainda lembrou que os casos de violência e assédio podem ocorrer em diferentes contextos e envolver qualquer pessoa, independentemente do gênero.
Política permanente
Na sequência, a presidente do Conselho Regional de Biomedicina da 2ª Região (CRBM-2), Edileine Dellalibera, reforçou a importância de transformar o combate ao assédio em uma política permanente dentro das organizações.
Para ela, a mudança cultural precisa partir das instituições. “Quando falamos do pacto de proteção da profissional biomédica, estamos falando de tolerância zero à violência contra a mulher. Essa transformação precisa acontecer dentro das empresas e dos ambientes de trabalho”, destacou.
Ela também chamou atenção para os desafios enfrentados pelas mulheres na ocupação de cargos de liderança e na busca por reconhecimento profissional. Segundo Edileine, apesar da predominância feminina na Biomedicina, a presença de mulheres nos postos mais elevados das organizações ainda é reduzida. “Muitas vezes precisamos provar diariamente que somos tão capazes quanto ou até mais capazes do que os homens. Não podemos normalizar situações de intimidação, constrangimento ou coerção. Respeito é uma condição básica para qualquer ambiente profissional saudável”, frisou.
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