Medicina nuclear avança rumo à personalização dos tratamentos oncológicos
Uma das maiores revoluções da oncologia moderna passa pela união entre diagnóstico e tratamento em uma única estratégia terapêutica. Esse foi o tema da palestra da biomédica Solange Amorim Nogueira, realizada nesta sexta-feira (5), durante a programação do Biomedicina in Santos, evento que segue até domingo no Santos Convention Center.
Especialista em imagem, mestre e doutora pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pós-doutora pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Solange apresentou os avanços da teranóstica, abordagem inovadora que combina exames de imagem e terapia direcionada para tratar tumores de forma mais precisa e personalizada.
Segundo a pesquisadora, a medicina nuclear vive uma mudança de paradigma. Se antes era vista como uma alternativa reservada aos casos mais graves e avançados, hoje ocupa posição estratégica na definição e no acompanhamento dos tratamentos oncológicos. “A grande mudança de chave aconteceu quando começamos a marcar alvos específicos”, explicou.
O princípio da teranóstica é relativamente simples, mas seus resultados são considerados revolucionários. Uma mesma molécula é utilizada para identificar células tumorais por meio de exames de imagem e, posteriormente, servir como veículo para transportar substâncias capazes de destruir essas mesmas células.
“O que a gente vê em medicina nuclear hoje, a gente trata. Nós descobrimos uma bala mágica, uma bala de acertar o alvo mesmo”, afirmou.
Durante a apresentação, Solange destacou que o avanço dos radiofármacos permitiu uma evolução significativa no tratamento de tumores neuroendócrinos e do câncer de próstata.
Outro ponto enfatizado foi a importância da dosimetria, processo responsável por calcular com precisão a quantidade de radiação absorvida pelo tumor e pelos órgãos sadios.
“Quando eu consigo precisar isso, aí sim estou fazendo uma medicina personalizada. Tem gente para quem determinada dose é demais. Para outros pacientes, a mesma dose é insuficiente”, reiterou.
Além dos benefícios clínicos, a pesquisadora chamou atenção para o crescimento acelerado do setor e para as oportunidades profissionais que surgem com a expansão da medicina nuclear.
De acordo com ela, há uma carência significativa de profissionais capazes de atuar na interface entre biologia, radioquímica, física médica e processamento de imagens.
Nesse cenário, na avaliação dela, o biomédico assume papel estratégico, especialmente em atividades relacionadas à dosimetria, segmentação de imagens e validação dos resultados produzidos por sistemas de inteligência artificial.
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