Inteligência Artificial exige biomédicos mais estratégicos e menos operacionais
A Inteligência Artificial (IA) já deixou de ser uma tendência futura para se tornar uma realidade presente na Biomedicina. A avaliação foi compartilhada durante a palestra “IA na Biomedicina: entre evidências, promessas e ilusões”, ministrada por Raphael Rangel das Chagas, biomédico, mestre e doutor em Ciências Biomédicas, e Daniel Pereira Reynaldo, presidente do Conselho Regional de Biomedicina da 7ª Região (CRBM-7), durante o Biomedicina in Santos, neste sábado (6), no Santos Convention Center.
Ao longo da apresentação, os palestrantes destacaram que a principal transformação provocada pela IA não está apenas na tecnologia, mas no perfil profissional exigido pelo mercado.
Segundo eles, tarefas repetitivas e operacionais já estão sendo automatizadas, exigindo que o profissional desenvolva competências voltadas à gestão, inovação e interpretação crítica dos dados.
“A Biomedicina hoje não é mais operação. A Biomedicina hoje está naquele lado que a gente está falando: é gestão e inovação”, afirmou o dirigente do CRBM-7.
Os especialistas apresentaram exemplos concretos do avanço da IA na área da saúde. Entre eles, sistemas capazes de alcançar índices de até 94% de precisão na detecção de câncer, além de aplicações na indústria cosmética para prever a eficácia de ativos e em redes de farmácia para mapear o comportamento dos consumidores.
A tecnologia, segundo os palestrantes, permite reduzir drasticamente o tempo gasto em análises repetitivas e ampliar a capacidade de processamento de informações.
Apesar dos avanços, os palestrantes alertaram para os riscos do uso indiscriminado da ferramenta. Uma das principais preocupações levantadas foi a chamada “terceirização do pensamento”, quando o profissional aceita respostas produzidas pela IA sem realizar a devida verificação.
Durante uma dinâmica com o público, os palestrantes demonstraram como sistemas de IA podem apresentar informações incorretas com aparente convicção, reforçando a necessidade de análise crítica. “Você tem que usar a inteligência artificial como ferramenta e não como uma substituição ao seu cérebro”, ressaltou Chagas.
Outro ponto debatido foi o impacto da IA na formação acadêmica e na pesquisa científica. Os palestrantes lembraram que o acesso à informação se tornou instantâneo, reduzindo barreiras que antes dificultavam a produção científica.
Ferramentas baseadas em IA já são utilizadas para auxiliar estudantes na organização de trabalhos acadêmicos e pesquisas, permitindo que professores concentrem seus esforços na avaliação crítica e na construção do conhecimento.
Para ambos, o verdadeiro risco para a profissão não é a Inteligência Artificial em si, mas a resistência à mudança. “O risco não é a IA. O risco é o biomédico que age como se as suas tarefas rotineiras fossem insubstituíveis para sempre”, destacou Reynaldo.
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