Estudo realizado no Chile aponta que maioria dos erros laboratoriais ocorre antes da análise das amostras
A segurança do paciente no ambiente laboratorial foi tema da palestra da tecnóloga médica chilena Verónica Rosales neste sábado (6), durante o terceiro dia do Biomedicina in Santos, realizado no Santos Convention Center. Especialista em gestão da qualidade, professora da Universidade Diego Portales e presidente da Sociedade Científica de Tecnólogos Médicos de Laboratório Clínico do Chile, ela apresentou resultados de uma pesquisa que buscou identificar e categorizar os principais eventos adversos relacionados aos laboratórios clínicos.
Segundo Verónica, a preocupação com a segurança do paciente ganhou força mundial após iniciativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas historicamente esteve concentrada nos ambientes hospitalares, especialmente em cirurgias e atendimentos médicos.
Por outro lado, os laboratórios clínicos, permaneceram por muitos anos à margem dos programas de creditação e monitoramento de eventos adversos, apesar de sua importância estratégica para o sistema de saúde.
O estudo conduzido no Chile reuniu informações obtidas a partir de reclamações de pacientes, registros internos de laboratórios, manifestações de profissionais da saúde e revisão da literatura científica internacional. O objetivo foi compreender onde ocorrem os principais riscos e como esses incidentes podem afetar a qualidade dos resultados laboratoriais e, consequentemente, a assistência prestada aos pacientes.
Um dos principais achados da pesquisa foi a constatação de que 62% dos erros acontecem na fase pré-analítica, que engloba etapas como solicitação de exames, identificação do paciente, coleta, armazenamento e transporte das amostras. Em contrapartida, a fase analítica apresentou índices significativamente menores de falhas, reflexo do elevado grau de automação presente nos laboratórios modernos.
Durante a apresentação, a palestrante destacou que a relevância desses dados é ampliada pelo fato de que cerca de 70% das decisões médicas são baseadas em resultados laboratoriais. Por essa razão, qualquer erro ocorrido antes da análise pode gerar impactos diretos no diagnóstico, no tratamento e no acompanhamento clínico dos pacientes.
A especialista também alertou para a subnotificação dos incidentes, já que muitos problemas não são registrados formalmente pelos serviços.
Outro ponto abordado foi a logística das amostras, considerada um dos principais desafios para a qualidade laboratorial. Entre os fatores de risco identificados estão o transporte prolongado de materiais biológicos, que em alguns casos pode ultrapassar 18 horas, além das dificuldades de coleta em grupos específicos, como recém-nascidos e pacientes com condições clínicas que dificultam o acesso venoso. Segundo a pesquisadora, determinadas análises exigem processamento em até quatro horas para garantir resultados confiáveis.
Ela chamou atenção para uma ameaça cada vez mais presente no setor: a cibersegurança. Com a crescente digitalização dos laboratórios e o armazenamento de grandes volumes de dados sensíveis, ataques cibernéticos e falhas nos sistemas de informação passaram a ser considerados eventos adversos relevantes.
Para Verónica, a segurança laboratorial do futuro dependerá não apenas da qualidade técnica dos exames, mas também da capacidade das instituições de proteger informações e fortalecer a cultura de prevenção de riscos em todas as etapas do processo.
Para encerrar, a professora elencou os pilares fundamentais para a segurança laboratorial do futuro. Além da adaptação tecnológica, que inclui a proteção contra ameaças cibernéticas e a automação para redução de erros humanos, as instituições precisam investir em educação contínua e em uma cultura de reporte “em culpa”. A pesquisadora enfatizou que a gestão de riscos baseada na norma ISO 15189:2022 e o monitoramento rigoroso por meio de indicadores de qualidade são as chaves para detectar desvios de forma precoce e garantir diagnósticos seguros e sustentáveis para o paciente.
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