Ciência e ética são diferenciais da Biomedicina estética em mercado cada vez mais competitivo

O crescimento acelerado do mercado da estética exige profissionais cada vez mais preparados para lidar não apenas com técnicas e procedimentos, mas também com questões científicas, éticas e humanas. A avaliação foi feita pela biomédica e cirurgiã-dentista Lídia Dantas durante a palestra “Biomedicina Estética: Técnica, Ciência e Ética”, realizada no Biomedicina in Santos.
Com mais de duas décadas de atuação na área, a palestrante apresentou um panorama do setor no Brasil e destacou o papel do biomédico em um mercado que movimenta milhões de reais e continua em expansão.
Segundo ela, o País ocupa atualmente a terceira posição mundial no segmento de higiene, beleza e estética, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. O crescimento registrado nos últimos anos e as projeções para a próxima década reforçam o potencial da área para os profissionais da saúde.
“Nós somos a terceira maior potência do mundo em estética. Há cada vez mais marcas chegando ao Brasil porque enxergam esse mercado como um grande potencial”, afirmou.
Apesar do crescimento do setor, Lídia alertou que o sucesso profissional não está relacionado apenas ao domínio de técnicas ou à popularidade nas redes sociais.
Na sua avaliação, o diferencial do biomédico está no conhecimento científico adquirido durante a formação, especialmente em áreas como anatomia, fisiologia, imunologia, bioquímica e farmacologia. “O que vai nos diferenciar nesse mercado é o conhecimento técnico-científico. Porque injetar, qualquer um injeta”, citou.
Mecanismos
Segundo a especialista, compreender os mecanismos biológicos do organismo é fundamental para prevenir complicações e tomar decisões seguras diante de intercorrências.
“Se a gente não tivesse diferencial, teríamos apenas um aplicador de seringa. E um aplicador de seringa talvez não consiga lidar com um efeito adverso ou uma intercorrência”, ressaltou.
Paciente não pode ser tratado como produto
Um dos momentos mais enfáticos da palestra foi a discussão sobre ética profissional. Lídia criticou a mercantilização da estética e defendeu que o planejamento terapêutico deve estar centrado nas necessidades reais do paciente, e não na venda de procedimentos.
Ela relatou situações em que optou por não realizar intervenções estéticas por entender que os resultados desejados eram incompatíveis com a realidade clínica ou estavam associados a distorções de imagem.
“Às vezes, a gente lida com pacientes que jamais terão suas expectativas atendidas. Nesse momento entra a nossa ética. Eu não posso enxergar o paciente apenas como um cifrão”, disse Lídia, que complementou: “O nosso paciente não é um rosto isolado, nem um padrão. Ele é um indivíduo com todas as suas dores e suas histórias de vida”.
A palestrante reforçou que o objetivo do profissional de saúde deve ser promover bem-estar e qualidade de vida. “Eu não estou vendendo produto. Estou vendendo transformação de vida”, destacou.
Ciência contra modismo
Outro tema abordado foi a influência dos chamados “hypes” da estética. Segundo Lídia, novos procedimentos e técnicas surgem constantemente, muitas vezes impulsionados mais pelo marketing do que por evidências científicas.
Para ela, cabe ao biomédico utilizar seu conhecimento para avaliar criticamente cada novidade antes de incorporá-la à prática clínica.
Ela também chamou a atenção para a importância da utilização exclusiva de produtos regularizados pelos órgãos competentes. “Todos os nossos produtos precisam ter regulamentação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), comprovação científica e biocompatibilidade”, ressaltou.
Ela lembrou que a utilização de substâncias sem registro sanitário ou introduzidas ilegalmente no Brasil representa risco à saúde dos pacientes e pode configurar crime contra a saúde pública.
Acesse outros links
Simule um plano
Os melhores planos para
Biomédicos pelo melhor preço