
CIDADE LIMPA
WILSON DE ALMEIDA SIQUEIRA
prefeito
da cidade de São Paulo regulamentou a lei que criou o projeto Cidade
Limpa. É a Lei nº 14.223 que está em vigor desde o dia
1º de janeiro de 2007. Esta lei tem por objetivo eliminar a poluição
visual em São Paulo, estabelecendo regras para a publicidade externa,
como outdoors, painéis em fachadas de prédios etc.
Cidade Limpa é a nova lei. Para alguns é uma lei antipática
e não representa muito no que tange a uma cidade limpa. Houve até
os que reclamaram porque sentiram-se prejudicados, deixando de ganhar o
sustento da família porque trabalhavam justamente com o que foi proibido.
Muitos acharam que a cidade ficou até mais feia, pois sobraram fachadas
esburacadas ou pintadas de cores berrantes, parecendo até um protesto
dos que se sentiram prejudicados.
Mas não é da lei do prefeito que eu quero falar, primeiro
porque não tenho competência para isso e, com certeza, muitos
existirão altamente capacitados para comentá-la.
Eu só quero fazer uma pergunta é só isto: cidade
limpa?
Como morador da cidade eu sei da necessidade de limpá-la, só
que não é só do visual, nem só do lixo que se
acumula embaixo dos viadutos, mas, sim, limpá-la também da
inércia, da preguiça, da falta de humanidade, da intransigência
e da maldade de alguns de seus moradores e mesmo governantes que não
se importam muito em ter uma cidade limpa neste aspecto do qual estou falando.
Ver a cidade limpa não é apenas passear de carro olhando para
cima para ver se tiraram os outdoors, mas também olhar para os lados,
sob os viadutos, nas calçadas, nas sarjetas e ver que ali, além
do lixo, também tem gente, gente misturada com o lixo.
Ter a cidade limpa é promover meios de ajudar estas pessoas, é
limpá-las na alma e na dignidade.
Cidade limpa não é apenas tirar os mendigos das ruas pelas
quais o papa vai passar, mas, sim, saber como ampará-las depois que
o papa for embora.
Cidade limpa é dar um bom dia ao seu vizinho e ser correspondido,
é não ser fechado no trânsito e não
ver o semelhante de punhos fechados para socar, mas sim, com a mão
aberta para acenar.
Cidade limpa é a cidade cujos habitantes têm ética,
educação, moral, fraternidade e sabem que não se busca
o amor a esmo porque ele já esta dentro de cada um de nós,
e é só usá-lo. Cidade limpa não é apenas
não dar esmolas no semáforo, mas se preocupar por que pedem
esmolas.
Cidade limpa é propugnar pelo bem e não esquecer que existe
na Declaração Universal dos Direitos Humanos o reconhecimento
da dignidade que é inerente a todos e que nesta mesma declaração
de direitos humanos está em seu artigo I: Todas as pessoas
nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão
e consciência e devem agir em relação umas às
outras com espírito de fraternidade. Basta que os habitantes
de uma cidade respeitem este artigo que estarão colaborando e muito
para uma cidade limpa.
Cidade limpa é ter governantes bem intencionados; é a união,
o riso, a amizade, a ética e amor entre os seus habitantes. Para
isto não precisa lei, se a lei dos seus habitantes for a lei do respeito
ao semelhante.
Cidade limpa não é apenas olhar para o alto e ver se não
tem mais outdoor, é sim, olhar um pouco mais para cima e ver o céu;
com as estrelas, com a lua, com o sol e saber que esta visão é
de todos que estão na cidade, assim como a cidade também é
de todos.
Cidade limpa é saber que somos todos iguais e irmãos, filhos
de um ente superior que há muito nos ensinou que para ter uma cidade
limpa, primeiro precisamos ser limpos.
Até a próxima...
Wilson de Almeida Siqueira
é vice-presidente do
CRBM e presidente das
Comissões de Ensino
e Docência e de Ética