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CARREIRA II

O DESAFIO DE SER SECRETÁRIA DE SAÚDE

A BIOMÉDICA MAGDA PASCON JUNQUEIRA FRANCO ESTÁ HÁ DOIS ANOS NO CARGO NO MUNICÍPIO PAULISTA DE JABORANDI.

ascida em Jaborandi, a biomédica Magda Pascon Junqueira Franco é, desde 2005, secretária de Saúde do município de sete mil habitantes na região de Barretos. “É um desafio grande, porque a cidade é muito pequena e a arrecadação é mínima”, afirma Magda, que compensa a falta de recursos com muito esforço. “Estou ligada 24 horas, não sei mais o que é dormir”, revela, sem reclamar. “Secretário de Saúde de cidade pequena é isso. Sou feliz com o que faço.”
A secretaria conta com 23% a 25% do orçamento da prefeitura (superior ao mínimo exigido por lei, de 12% a 15%) e verbas estaduais e federais. Com isso, mantém um hospital (com ambulatório e pronto-socorro) e um centro de saúde com atendimento básico nas áreas de Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria, Cardiologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia e Fisioterapia. “Aqui não falta medicamento e, para aquilo que não podemos fazer, recorremos a hospitais de referência”, explica a biomédica. No caso, são usados como referência a Santa Casa de Barretos, o Hospital de Base de São José do Rio Preto e o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.
No total, a secretaria dispõe de cerca de 120 funcionários. A maior dificuldade encontrada é o fato de o SUS não admitir o atendimento de convênios e particulares, já que as usinas de álcool (principal atividade econômica do município) oferecem planos de saúde aos empregados.
“Aqui a cidade é simples, mas o atendimento tem de ter dignidade”, afirma Magda. “Todos os nossos quartos têm TV, por exemplo.” Como a estrutura é pequena, a secretária tem contato direto com os pacientes, a quem chama de clientes. “Adoro cobrir um paciente, dar carinho. Acho isso muito importante.”

FORMAÇÃO É BEM ECLÉTICA

secretária Magda Pascon Junqueira Franco tem vários interesses na vida. “Amo ser biomédica, amo dar aula, amo ser secretária de Saúde, amei ser psicopedagoga e estou amando estudar Direito”, afirma, entusiasmada. “Não sei responder do que eu mais gosto.”
Magda começou a estudar Biomedicina na Universidade de São Paulo, mas, como o curso não era reconhecido e só servia para quem queria fazer pesquisa, ela se transferiu para o Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, e formou-se em 1987. Em seguida, fez estágio em Análise Ambiental na Estação de Tratamento de Água, Esgoto e Lixo (ETA) de Jaboticabal, durante um ano, e especialização em Microbiologia na Barão. Fez também especialização em Saúde Pública.
O mestrado foi realizado na Unesp de Jaboticabal em Microbiologia Agrícola, trabalhando com controle biológico, e está fazendo doutorado em Entomologia, para trabalhar com dengue. Formou-se ainda em Biologia, Pedagogia (com especialização em Psicopedagogia) e cursa Direito em Barretos. Na área de administração, fez curso de Gestão e Planejamento, promovido pelo Estado (ela é uma gestora que prepara outros gestores), e faz curso de Controle Social, também de iniciativa do Estado, na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto. “Não se pode parar de estudar, se não você está fora do mercado”, afirma.

MUITAS ATIVIDADES — Na vida profissional, Magda foi professora do ensino médio no Estado, de escola particular, de cursinho pré-vestibular e de alguns cursos técnicos de universidade, além de ter trabalhado como professora assistente da Barão de Mauá no curso de Zoologia Marinha. Trabalhou também em análises clínicas e foi coordenadora de laboratório no Estado durante oito anos.
E foi exercendo suas funções em laboratório, sem nenhum engajamento político, que recebeu o convite do então prefeito eleito Marco Antônio Pinto Neto (PMDB) para ser secretária de Saúde. “Eu queria ser secretária de Educação e por isso demorei um mês para responder”, lembra. “Mas achei que tinha condições e o que não tinha eu ia atrás”, concluiu a biomédica, que ressalta a importância de conhecer Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica e as normas técnicas do SUS para trabalhar na área.
Com tantos interesses profissionais, Magda não sabe o que vai fazer quando sair da secretaria. “Talvez ficar trabalhando com Saúde e Educação, ou voltar para a faculdade, ou ir para outro país...”



“Eu queria ser secretária de Educação e por isso demorei um mês para
responder ao convite. Mas achei que tinha condições e o que não tinha eu ia atrás.
Ressalto a importância de conhecer Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica
e as normas técnicas do SUS para trabalhar na área.”

Magda Pascon Junqueira Franco

 

PROJETO DE LEI DO ATO MÉDICO É MOTIVO DE IRRITAÇÃO

ostrando garra e disposição para enfrentar qualquer dificuldade sem desanimar, Magda só se irrita quando comenta o projeto de lei do Ato Médico — tema principal desta edição —, especialmente na parte em que determina que só o médico tem condições de gerenciar um hospital. “Então para que valem as especializações?”, questiona. “A partir do momento em que você faz um curso e conquista uma especialização, quem é que vai tirar esse direito do profissional?”
A biomédica considera que o médico é o profissional mais difícil para se lidar na área de Saúde. “Conheço muito médico que é secretário de Saúde e não sabe lidar com médico”, diz, revelando como faz. “Eles podem se sentir deuses, mas eu os trato de igual para igual”, conta. “Eles me aceitaram assim, mas você tem de ser firme e saber o que está fazendo.”

Magda considera que o biomédico é um profissional pronto para assumir grandes responsabilidades na área de saúde. “Se você quer só fazer análises clínicas, não precisa ser biomédico”, considera. “O mercado de trabalho exige de você uma visão mais ampla e o biomédico, pelo conhecimento que adquire, pode exercer uma grande variedade de profissões.”
Por tudo isso, a profissional não se conforma com o piso salarial da categoria. “O médico não faz nada sem nós, mas estamos muito lá atrás, apesar de termos dado um salto enorme”, avalia. “Fico feliz quando olho para a Revista do Biomédico e vejo pessoas que chegaram a uma grande estabilidade profissional”, orgulha-se.

MUNICÍPIO DE JABORANDI



Localizado a 417 km da capital, na região de Barretos, o município de Jaborandi foi fundado em 1949. Seu nome se deve à grande quantidade da planta Jaborandi Holmes, popularmente conhecida como jaborandi, existente às margens do córrego onde a cidade teve origem.