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CARREIRA

BIOMÉDICA ESTUDA ZOONOSES NO INSTITUTO BIOLÓGICO

Eliana Scarelli Pinheiro é especialista na bactéria do gênero Campylobacter,
que causa aborto em animais e pode atingir o ser humano.

rincipal causadora de diarréia nos países desenvolvidos, mas pouco estudada e subnotificada no Brasil, a bactéria do gênero Campylobacter é a especialidade da biomédica Eliana Scarcelli Pinheiro, pesquisadora do Laboratório de Doenças Bacterianas da Reprodução do Instituto Biológico de São Paulo. “Há 17 espécies dessa bactéria e a sua gama de patologias é muito grande”, afirma. Eliana estuda todo o gênero Campylobacter há 22 anos, mas principalmente a espécie Campylobacter jejuni, que causa enterite nos animais e nos homens.
O Campylobacter provoca aborto nos animais (bovinos, caprinos, ovinos e suínos) e também no ser humano. Pode causar ainda enterite e a síndrome de Guillain-Barré, doença neurológica auto-imune semelhante à poliomielite. As principais fontes de contaminação são a carne de frango mal processada, o leite não-pasteurizado, a água contaminada e os vegetais irrigados com essa água.

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS — O Instituto Biológico é uma entidade de pesquisa científica da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e atua nas áreas de sanidade animal, sanidade vegetal e proteção ambiental. “Temos uma linha forte de prestação de serviço e recebemos material do Brasil todo, de Estados como Acre, Rondônia...”, explica Eliana.

Normalmente, o laboratório recebe fetos abortados para estudar as causas do problema. “Atendemos o produtor rural de todas as espécies (bovinos, caprinos, ovinos...) e monitoramos quase 90% das centrais de inseminação artificial do Brasil”, revela. Dentro do laboratório são realizados dois mil exames por mês. De acordo com estatísticas do próprio instituto, no período entre 1985 e 2005 foram estudados 1.259 fetos bovinos no laboratório – isso sem contar os de outras espécies.

Eliana desbrava área da Veterinária

liana Scarcelli Pinheiro formou-se em Biomedicina na Escola Paulista de Medicina em 1985 e no último ano fez estágio na área de Microbiologia no Instituto Biológico, na Seção de Doenças de Bovinos, Ovinos e Caprinos, que em 1998 passou a se chamar Laboratório de Doenças Bacterianas da Reprodução. A orientadora de sua monografia foi a veterinária Margareth Élide Genovez, que a convidou a continuar.
Em 1986, Eliana obteve bolsa de aperfeiçoamento do CNPq para estudar o Campylobacter em suínos e, em 1987, prestou concurso para o Instituto Biológico. Em 88 foi contratada como pesquisadora científica nível I e, ao longo dos anos, foi sendo promovida, até atingir, em 2005, o nível VI, o mais alto dentro da instituição. Na época, foi a primeira biomédica contratada pelo Instituto e precisava explicar o que era a profissão para seus colegas de trabalho, todos veterinários. Depois chegou a ser chefe da seção, que hoje tem seis biomédicos. “Como se vê, o Instituto tem futuro para os biomédicos”, afirma.
A pesquisadora concluiu mestrado (em 1997) e doutorado (2003) no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, sempre na área de Microbiologia. Tem 40 publicações em revistas científicas nacionais e internacionais e 86 publicações em congressos nacionais e internacionais. “Pela minha formação de biomédica, sempre puxei os estudos pelas zoonoses, doenças que podem atingir o homem”, explica.
Eliana comemora o fato de trabalhar num local privilegiado, já que o Instituto Biológico possui uma enorme área verde e até uma plantação de café, algo insólito numa região tão próxima ao centro de São Paulo. “Aqui tem muito passarinho e de vez em quando até coruja aparece”, conta.

Atendemos ao produtor rural de todas as espécies (bovinos, caprinos, ovinos...)
e monitoramos quase 90% das centrais de inseminação artificial do Brasil.
Eliana Scarcelli Pinheiro

 

 

 

Pós-graduação é novidade

primeiro curso de pós-graduação ministrado pelo Instituto Biológico foi lançado neste ano, quando a instituição comemora 80 anos de fundação (27/12/1907) e todas as 25 vagas foram preenchidas, poucas por biomédicos. “Acredito que faltou divulgação”, afirma Eliana, que espera maior presença de biomédicos na próxima turma, que começará em 2008.
A Pós-Graduação em Sanidade, Segurança Alimentar e Ambiental no Agronegócio tem um caráter multidisciplinar, com professores nas áreas de Veterinária, Biologia, Agronomia, Farmácia-Bioquímica e Biomedicina. No caso, a única biomédica é Eliana, que ministra a disciplina de Segurança Alimentar em Produtos de Origem Animal e Vegetal. “O grande diferencial desse curso é o caráter multidisciplinar e o biomédico se encaixa perfeitamente nesse tipo de abordagem”, afirma a pesquisadora. “O aluno terá uma ampla visão da área e acredito que, depois do curso, ele possa tanto se engajar na área de pesquisa quanto em empresas.”



Pela minha formação de biomédica, sempre puxei os
estudos pelas zoonoses, doenças que podem atingir o homem.
Eliana Scarelli Pinheiro