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ESPECIAL

SUCESSO DA CATEGORIA ENTUSIASMA BIOMÉDICO

Helio Hehl Caiaffa Filho foi o primeiro biomédico a se tornar diretor de serviço no Hospital das Clínicas.

m marco interessante de crescimento da classe. Assim Helio Hehl Caiaffa Filho classifica o fato de ter sido o primeiro biomédico a se tornar diretor de serviço no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em 1996. Na época, a promoção causou estranheza. “Como diretor? Você não é médico...”, era o questionamento latente, segundo Caiaffa.

“Esse tipo de nomeação abre para o biomédico a perspectiva de subir na carreira, que já foi tão sofrida, batalhada e minimizada por outras”, afirma o diretor. “Se você vê alguém nessa posição, você sabe que também pode alcançá-la.” Caiaffa acredita que hoje a situação do biomédico melhorou bastante. “Temos um espaço respeitado e reconhecido em Medicina Laboratorial.”

Caiaffa é diretor da Seção de Biologia Molecular, que faz parte do Serviço de Análises Especiais da Divisão de Laboratório Central do HC, responsável por todo o atendimento do complexo do hospital e de seus afiliados. Atende também aos clientes participantes da rede estadual de carga viral do HIV e de hepatites virais (cidades de Guarulhos, Mogi Guaçu, Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba). Além de Caiaffa, a seção dispõe de um médico, um biologista-chefe (que é biomédico) e 12 biologistas (a maioria biomédicos).

A unidade de Biologia Molecular é parte integrante dos Laboratórios de Investigação Médica LIM-03, com elevado índice de produção científica. No ano passado, os cerca de 370 profissionais do Laboratório Central do HC produziram 13 trabalhos publicados em revistas internacionais e três em nacionais. O grupo da Biologia Molecular também participa de congressos, sempre apresentando trabalhos.

            

            

UM OÁSIS DENTRO DO HC

om uma planta desenhada pelo próprio Caiaffa, a Seção de Biologia Molecular pode ser considerada um oásis dentro do Hospital das Clínicas. “É um laboratóriodiferenciado, pela metodologia, pelos equipamentos e pelo aspecto visual”, explica o diretor. O laboratório foi reformado no período de setembro de 2003 a dezembro de 2004 com uma verba de R$ 1 milhão fornecida pela Finep – Financiadora de Estudos e Projetos, do Ministério da Ciência e Tecnologia.
“O desenho é funcional, adequado às necessidades e, ao mesmo tempo, o mais agradável possível”, explica o diretor, que se orgulha ao contar que ouve muitos elogios quando recebe visitas de representantes de empresas ou de órgãos internacionais. Como o laboratório trabalha com amplificação de DNA, há risco de contaminação ambiental e um dos cuidados tomados foi colocar as impressoras de resultados do lado de fora da área de estudos. “O papel não circula da área de estudos para fora”, explica.
A unidade de Biologia Molecular foi fundada em 1996 por Caiaffa. Na época, foram introduzidos no mercado os kits de PCR para diagnóstico e quantificação de alguns agentes, com o vírus da Aids. “Éramos um laboratório pioneiro, coisa de Primeiro Mundo”, lembra o biomédico.

CRESCIMENTO — Em 97, o laboratório foi integrado à Rede Nacional de Carga Viral do HIV do Ministério da Saúde, realizando 200 exames/mês, quantia que foi crescendo até os 900 exames/mês atuais. Atualmente, o laboratório também trabalha com vírus das hepatites B e C e vem desenvolvendo outros exames com a técnica da PCR para vários agentes etiológicos. A seção participa da Rede Estadual de Hepatite C, realizando 250 exames/mês de PCR quantitativa para HCV, 150 exames/mês de carga viral e 80 exames/mês de genotipagem.
As linhas de pesquisa da seção são: caracterização molecular dos mecanismos de resistência bacteriana, tipagem de microorganismos em epidemiologia molecular e métodos moleculares de identificação e quantificação de agentes etiológicos. A seção recebe estagiários selecionados pelo Centro de Seleção do HC e está sempre colaborando com os graduandos dos Departamentos de Patologia e Fisiopatologia.

MICROBIOLOGIA FOI O INÍCIO

elio Hehl Caiaffa Filho formou-se na então Osec, hoje Unisa, em 1979, e no último ano iniciou estágio na Faculdade de Medicina da USP com o professor Carlos da Silva Lacaz, um nome importante na Microbiologia. O estágio prosseguiu até 1982, quando Caiaffa se tornou biologista no Laboratório Central do HC, na seção de Microbiologia. Em 1987, foi promovido a encarregado pela seção e depois a chefe, cargo que ocupou até 1995.

NOS EUA — Seu mestrado foi em Microbiologia e, de 1990 a 1991, trabalhou no Departamento de Resistência Bacteriana do Center for Disease Control (CDC), em Atlanta, nos Estados Unidos, um dos centros de pesquisa mais respeitados do mundo. Voltou ao CDC no período de 1993 a 1994 para trabalhar com Fred Tenover, chefe do Programa de Infecções Hospitalares. Até hoje tem um bom relacionamento com a instituição americana, tanto que em 2005 foi convidado para ser o coordenador brasileiro de um grande estudo em resistência bacteriana.
Em 1996, saiu da Microbiologia e fundou a Seção de Biologia Molecular, da qual se tornou o diretor de serviço. É ainda orientador do Projeto de Iniciação Científica para alunos da graduação de Medicina.
Desde 1995, Caiaffa é também professor assistente do Departamento de Ciências Patológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa. E tem uma empresa de consultoria chamada Interscience Biologia Molecular Diagnóstica.

A Seção de Biologia Molecular pode ser considerada um oásis dentro
do Hospital das Clínicas. É um laboratório diferenciado, pela metodologia,
pelos equipamentos e pelo aspecto visual.
Helio Hehl Caiaffa Filho