
Instituto surgiu em 1900 e passou à pesquisa dois anos após, sob a direção do sanitarista Oswaldo Cruz.
A Fundação Oswaldo Cruz, do Ministério da Saúde, foi eleita a melhor instituição de saúde pública do mundo pela World Federation of Public Health Associations (Federação Mundial das Associações de Saúde Pública), uma organização não-governamental internacional que reúne profissionais de saúde de todo o mundo, promovendo intercâmbios e colaborações. A escolha da melhor instituição é feita a cada três anos.
A premiação ocorreu durante o 11º Congresso Mundial de Saúde Pública, realizado no Rio, no final de agosto. Foram agraciados a Fiocruz e seu presidente, o sanitarista Paulo Buss.
Como tudo começou: o Instituto Soroterápico Federal foi criado em 25 de maio de 1900 com o objetivo de fabricar soros e vacinas contra a peste. O local escolhido para construção do prédio central, chamado de Pavilhão Mourisco, foi a região da antiga Fazenda de Manguinhos, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Logo, o instituto, de simples produtor, passou a se dedicar também à pesquisa e à medicina experimental, principalmente depois que Oswaldo Cruz assumiu sua direção, em 1902.
No ano seguinte, Oswaldo Cruz foi nomeado diretor-geral de Saúde Pública. Assim, Manguinhos se tornou base para suas memoráveis campanhas de saneamento, especialmente na cidade do Rio de Janeiro, que, na época, foi assolada por surtos e epidemias de peste bubônica, febre amarela e varíola. Mesmo enfrentando uma oposição cerrada, inclusive um levante popular — a Revolta da Vacina, em 1904 —, o sanitarista obteve sucesso que levou a instituição a receber a medalha de ouro na Exposição Internacional de Higiene, do IV Congresso Internacional de Higiene e Demografia, em Berlim, em setembro de 1907.
INSTITUTO — Em 1908, Manguinhos foi rebatizado Instituto Oswaldo Cruz. O trabalho de Manguinhos não se restringiu à capital brasileira. Atendendo às solicitações do governo, colaborou de forma decisiva na ocupação do interior do país. Lá, os pesquisadores realizaram expedições científicas, permitindo, assim, o cumprimento de acordosinternacionais e colaborando com o desenvolvimento nacional. O levantamento pioneiro sobre as condições de vida das populações do interior, realizado pelos cientistas de Manguinhos, fundamentou debates acirrados e resultou na criação do Departamento Nacional de Saúde Pública, em 1920. Após a Revolução de 30, o instituto foi transferido para o recém-criado Ministério da Educação e Saúde Pública. Embora beneficiado com maior aporte de recursos federais, Manguinhos perdeu autonomia, parte de seu pessoal e tornou-se mais vulnerável às interferências políticas externas.
Nas décadas de 50 e 60, o instituto defendeu o movimento para a criação do Ministério da Ciência e a transferência do setor de pesquisa para o novo órgão. No entanto, o Ministério da Saúde dava mais prioridade para a produção de vacinas. Esta polêmica culminou no Massacre de Manguinhos, em 1970, com a cassação dos direitos políticos e aposentadoria de dez renomados pesquisadores da instituição. Em 1985, eles foram reintegrados. Ainda em 1970, foi instituída a Fundação Oswaldo Cruz, congregando, inicialmente, o então Instituto Oswaldo Cruz, a Fundação de Recursos Humanos para a Saúde (posteriormente Ensp) e o Instituto Fernandes Figueira (IFF). As demais unidades que hoje compõem a Fiocruz foram incorporadas ao longo dos anos.
CONTRIBUIÇÕES — Desde sua criação, Manguinhos vem oferecendo contribuições importantes ao desenvolvimento científico mundial. Entre elas, destaca-se a descoberta da doença de Chagas, em 1909. Um feito ímpar: Carlos Chagas descobriu o parasito — Trypanosoma cruzi —, estudou sua morfologia e biologia, descobriu o vetor — o barbeiro —, e o modo de transmissão, a doença, suas manifestações clínicas, o primeiro reservatório silvestre e ainda definiu as linhas gerais de sua epidemiologia.
Na área de protozoologia, destacam-se ainda o estabelecimento do ciclo do Haemoproteus columbae, por Henrique Aragão — o que contribuiu para a descoberta do ciclo exo-eritrocitário na malária humana — e a descoberta do tratamento antimonial para as leishmanioses, por Gaspar Vianna. Esse feito mudou radicalmente o prognóstico do calazar, doença com um índice de mortalidade de 70 a 90%.
Em virologia, ressaltam-se os estudos anatomopatológivos em febre amarela de Rocha Lima e Magarinos Torres. Henrique Aragão foi ainda o descobridor do vírus do mixoma do coelho, o que possibilitou o controle populacional deste animal na Austrália.
No campo da entomoloia, o que chama a atenção é a descoberta do inseto responsável pela broca do café e a utilização pioneira do controle biológico para seu combate, por Costa Lima e Arthur Neiva. E, ainda, as novas técnicas de combate ao mosquito transmissor da febre amarela, desenvolvidas por Oswaldo Cruz, além dos estudos clássicos em sistemática de insetos.
A descoberta da vacina contra o carbúnculo do gado ou peste da manqueira, por Alcides Godoy, as pesquisas em microbiologia de Olympio da Fonseca e Arêa Leão, a descrição completa do fungo causador da paracoccidioidomicose, também conhecida como mal de Lutz, por Adolpho Lutz, além do desenvolvimento de novas tecnologias para a produção em larga escala das vacinas contra a febre amarela e varíola, também são destaques do Instituto.
Ressaltam-se, finalmente, os estudos clássicos em sistemática de helmintos de Lauro Travassos e a descrição do ciclo do Schistosoma mansoni e a causa do tifo exantemático — Rickettsia prowasecki — por Rocha Lima.
(Fonte: Ministério da Saúde)