
Jorge Michalany pede desculpas pelos transtornos que causou aos biomédicos em geral com seu artigo na Revista da APM.
Reconhecendo ter se excedido em suas críticas aos profissionais biomédicos em seu artigo intitulado “Biomédico, um aepyornis revivido na Medicina”, publicado no Suplemento Cultural da Revista da Associação Paulista de Medicina, edição nº 555, de abril de 2005, o médico Jorge Michalany ofereceu retratação ao Conselho Regional de Biomedicina – 1ª Região na pessoa de seu presidente, Marco Antonio Abrahão, conforme solicitação do CRBM (Ação de Reparação de Danos Morais com Pedido de Obrigação de Fazer ou Não Fazer, processo 2006.61.00.009460-5, 5ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo). Essa retratação, que a Revista do Biomédico apresenta a seguir, também foi publicada no Suplemento Cultural da Revista da APM, edição nº 172.
O CRBM, levando em consideração os fatos, resolveu aceitar a retratação, pois não há o interesse em tripudiar.
“Retratação ao Conselho Regional de Biomedicina – 1ª Região na pessoa do dr. Marco Antonio Abrahão
Devido à minha avançada idade, 90 anos, portador de lesão cardíaca (obstrução coronária e insuficiência ventricular direita), e ao estado de saúde da minha também idosa esposa, fui aconselhado pelos meus médicos particulares prof. dr. Celso Ferreira e dr. Cláudio Miguel Rufino, a evitar emoções, como é o caso da minha questão com o dr. Marco Antonio Abrahão, representante e presidente do Conselho Regional de Biomedicina de São Paulo (CRBM). Assim sendo, resolvi fazer retratação ao meu artigo ‘Biomédico, um aepyornis revivido na Medicina’, publicado no ‘Suplemento Cultural’ da ‘Revista da APM’ (ago./2005) conforme solicitação do referido Conselho de Biomedicina.
1) Embora não admitindo a realização de exames anatomopatológicos (Citologia Oncótica e Histopatologia) por profissionais não-médicos, como o biomédico, conforme os pareceres do Conselho Federal de Medicina e recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia, tal como salientei no meu artigo, reconheço agora que não deveria ter comparado o surgimento e expansão da Biomedicina com a ave pré-histórica, o aepyornis de H.G. Wells. Foi uma manifestação impulsiva por causa do meu idolatrado amor pela anatomia patológica e a Medicina profissional.
2 ) Se qualifiquei o biomédico de semimédico foi porque Biomedicina é um termo redundante, já que Medicina é ramo da Biologia. A duração do curso é apenas de 4 anos, isto é, a metade daquele da Medicina, ou seja, 8 anos (6 de graduação e 2 de residência). Ademais, não poderia chamar o biomédico de paramédico porque este implica contacto com o doente, o caso do enfermeiro. Todavia, confesso ter cometido um lapso nomenclatural, porque biomédico é denominação consagrada na literatura e nos currículos universitários.
3) A idéia de que os cientistas básicos como os biomédicos sejam invasores não foi introduzida por mim, mas em 1982 pelo médico-cirurgião John F. Skandalis, professor da Universidade de Emory, Estados Unidos, no artigo ‘The Invaders of Anatomy’ (‘Surg. Gynee & Obstr. 154:241 242m 1982). E a palavra invasão foi empregada na recomendação do dr. Carlos Alberto Fernandes Ramos, responsável pela defesa profissional da Sociedade Brasileira de Patologia (‘O Patologista’, ago./set., 2003). Deste modo, eu apenas repeti o que foi publicado a respeito do cientista básico, como o biomédico, nos Estados Unidos e no Brasil.
Conclusão: Em vista desta exposição, venho a público pedir desculpas pelos transtornos que, segundo o dr. Marco Antonio Abrahão, causei aos biomédicos em geral, com o meu artigo ‘Biomédico, um Aepyornis Revivido na Medicina.
Prof. dr. Jorge Michalany, prof. titular aposentado da Escola Paulista de Medicina.”