| Doença de Chagas, uma especialidade
para pesquisadora |
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A biomédica Cláudia Regina de
Marchi pesquisa antígenos mais específicos para
o diagnóstico do mal que se
tornou seu campo de trabalho.
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studar
antígenos mais específicos para o diagnóstico
da doença de Chagas. Este é o principal objetivo
do trabalho da biomédica Cláudia Regina de Marchi,
que há 13 anos faz pesquisa no Instituto de Medicina Tropical
da Universidade de São Paulo. Cláudia, desde janeiro
biologista-chefe do Laboratório de Parasitologia, é
especializada na doença, principal foco dos seus 14 trabalhos
publicados em revistas científicas e 38 enviados a congressos
de parasitologia.
A doença de Chagas é antiga e tem um ciclo
bem caracterizado, mas o diagnóstico sorológico
ainda é deficiente, alerta. De acordo com a biomédica,
os testes comerciais são muito sensíveis, porém
pouco específicos. É porque o antígeno
mais utilizado por eles é uma forma do protozoário
Trypanosoma cruzi chamada de epimastigota, encontrada no barbeiro,
explica. Por isso, o paciente pode ter um resultado falso positivo
muitas vezes ele está com leishmaniose. O resultado atende
às necessidades dos bancos de sangue, porque mostra que
o material doado não pode ser utilizado e é insuficientes
para o diagnóstico e tratamento do paciente.
A principal meta do trabalho de Cláudia é encontrar
um antígeno mais específico para o mal de Chagas.
Para isso, ela estuda a forma tripomastigota, encontrada no sangue
do homem, e purifica uma glicoproteína chamada mucina,
que bloqueia essa |

reatividade cruzada. É um antígeno mais
difícil de conseguir, exige uma sala de segurança
nível 2 e fica mais caro, explica. Este antígeno
mais específico é fundamental para o diagnóstico
em pacientes inconclusivos, que apresentam resultado negativo
num teste e positivo baixo em outro.
No laboratório do IMT, Cláudia executa todo o
processo e utiliza todos os métodos para o diagnóstico
da doença. Para tanto, a instituição conta
com a criação de barbeiros e de camundongos. Também
é feito o teste de medicamentos em grupos de pacientes
transplantados do Instituto do Coração e da Beneficência
Portuguesa. 
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A doença
de Chagas é antiga e tem um ciclo bem caracterizado,
mas o diagnóstico sorológico ainda é deficiente.
Cláudia Regina de Marchi
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| Interesse pela pesquisa
foi acaso |
pesquisa
científica nunca foi o projeto de vida de Cláudia
Regina de Marchi. Biomédica formada em 1993 na então
Osec (hoje Unisa), sempre gostou de Imunologia, mas não
imaginava seguir na carreira. Caí na pesquisa e gostei,
resume.
Cláudia entrou no Instituto de Medicina Tropical da Universidade
de São Paulo em 92 como técnica de laboratório
e, depois de formada, prestou outro concurso e passou a biologista.
Em 95, fez curso de especialização em Parasitologia
na Osec e, em 2003, concluiu o mestrado no Instituto de Ciências
Biomédicas da USP, estudando a relação patógeno-hospedeiro.
Desde janeiro de 2005, ela é biologista chefe do Laboratório
de Parasitologia do IMT.
A biomédica chegou a fazer análises clínicas
e trabalhou num curto período no Laboratório Delboni
Auriemo, mas acabou direcionando a carreira para a pesquisa, especialmente
da doença de Chagas, embora também tenha estudado
toxoplasmose e publicado trabalhos sobre leishmaniose e HIV. Tem
14 trabalhos publicados em revistas científicas e 38 enviados
a congressos, além de ter escrito o capítulo sobre
toxoplasmose no livro Parasitologia Humana e seus fundamentos
gerais. Também dá aula prática sobre
diagnóstico da doença de Chagas para residentes
do Hospital das Clínicas.
No seu dia-a-dia, Cláudia convive com o médico infectologista
Vicente Amato Neto, que é chefe do Laboratório de
Parasitologia. |
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Sempre gostei de Imunologia,
mas não imaginava seguir na carreira. Caí
na
pesquisa e gostei.
Cláudia Regina de Marchi
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E tem grande admiração pelos conhecimentos e
pela humildade do pesquisador. A gente até esquece
que ele é uma estrela, porque trata-se de uma pessoa
simples, afirma.
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| IMT conta com 20 pesquisadores |
Instituto
de Medicina Tropical de São Paulo é ligado à
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e dedicado
à pesquisa básica e laboratorial das doenças
que mais ocorrem nas regiões tropicais do mundo. O IMT
é composto por 20 pesquisadores independentes, com aproximadamente
100 estudantes de pós-graduação e estagiários,
distribuídos em dois edifícios com aproximadamente
5 mil metros quadrados de laboratórios, localizados no
maior centro médico da América Latina, o complexo
Clínicas. Possui laboratórios de pesquisa nas áreas
de Hematologia, Virologia, Protozoologia, Micologia, Bacteriologia,
Parasitologia Aplicada, Hepatologia, Helmintologia, Imunologia
e Soroepidemiologia, Imunopatologia das Doenças Tropicais
e Dermatologia Tropical.  |
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