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Os rumos da Ciência brasileira sob a ótica
dos índices cienciométricos*
Rodrigo Grazinoli Garrido & Fabíola de Sampaio Rodrigues
Resumo: Com o desenvolvimento da ciência moderna, várias de suas características passaram a ser refletidas no número de publicações. Assim, a avaliação da performance científica de uma região ou país pode ser feita em termos dos trabalhos publicados, por meio da observação dos seus índices cienciométricos. Tomando os devidos cuidados, a análise de alguns destes índices permite observar a evolução da Ciência brasileira nos últimos anos. Entre 1981 e 2000, mais que quadruplicou o número de artigos científicos brasileiros em periódicos no ISI (Institut of Scientific Information). Um dado importante para a ciência nacional é a presença do Brasil entre os 31 países que produzem 97,5% da pesquisa mais citada do planeta. É notável que o incremento da pesquisa brasileira na última década vem acompanhada de um aumento no número de alunos nos cursos de pós-graduação, seguido, contrariamente, por um decréscimo na verba governamental para a pesquisa. Neste trabalho ofereceu-se uma visão geral das aplicações dos índices cienciométricos. A evolução da ciência brasileira nas últimas décadas foi apontada a partir da análise de alguns destes índices. Abstract: As modern science progress breaks through, several of its aspects have reflected publications’ number. So, regional or national scientific performance can be determined after considering bibliometric indexes. Carefully observation may show that some of these indexes pointed out Brazilian science evolution at last few years. Between 1981 and 2000, the number of Brazilian publications at ISI (Institut of Scientific Information) periodics enhanced more than four times. An important fact for national science is Brazil’s presence among 31 countries that produce 97,5% of the world most cited research. In the last decade, enhances at Brazilian science production have come together with the number of post-graduation students. However, there was a decrease at governmental research grants. In this work, it was offered scientiometry general application. Brazilian science evolution in the last decades was pointed out after some of scientiometric indexes analysis.

Introdução

Muitos estudiosos denominam a sociedade atual como a “sociedade do conhecimento”, onde quem domina são os profissionais especialistas e seus métodos científicos. O campo da economia também já se rendeu às ocupações produtoras e disseminadoras do conhecimento. Tal é a influência, que a “economia do conhecimento” tornou-se área comum de interesse dessa ciência. Além disso, o conhecimento se tornou uma importante questão política pública e privada e certamente no futuro irão se reportar a este tempo como a era do conhecimento (Burke, 2003).
Apesar da flagrante importância que o mundo atual delega ao conhecimento, alguns países, principalmente os periféricos, como o Brasil, ainda sente dificuldades na transformação plena do conhecimento gerado em inovação tecnológica que apóiem o desenvolvimento socioeconômico da nação (Luiz, 2003). Uma das causas apontadas para este fato seria a jovialidade (30 ou 40 anos) da base científica nacional. Entretanto, aposta-se que o estímulo governamental às universidades solicitadas a formar recursos humanos pode mudar rapidamente este quadro (Krieger, 2002).
Uma iniciativa governamental recente, na tentativa de mudar este quadro no Brasil, seria o Projeto de Lei da Inovação Tecnológica. Elaborado pelo Executivo Federal e enviado ao Legislativo em 2004, este projeto, apesar de inúmeras críticas, previa aumentar a flexibilidade das Instituições Científicas e Tecnológicas (ICT) facilitando as associações público-privadas e desburocratizando os contratos e licenças de recursos humanos envolvidos nos processos de inovação tecnológica. Acrescenta-se a isto o estímulo ao pesquisador e às ICT, por meio de fundos de investimentos, e à gestão da inovação com direcionamento para registros de patentes e a transferência de tecnologia.
Avaliando alguns índices bibliométricos e cienciométricos, pode-se constatar que as mudanças na produção científica brasileira foram bastante expressivas nos últimos 10 anos. O Brasil ultrapassou nos últimos anos 1% do total da pesquisa científica publicada em bases indexadas no mundo (Krieger, 2002).


O que são os índices cienciométricos?

Com o desenvolvimento da ciência moderna, várias de suas características passaram a ser completamente refletidas no número anual de publicações. De forma que, atualmente, pode-se considerar a ciência como um sistema de produção de informação, sobretudo informação publicada em formas permanentes e disponíveis para o uso (Spinak, 1989). Com isso, a avaliação da performance científica de uma região ou país pode ser feita em termos dos trabalhos publicados, por meio da observação dos seus índices bibliométricos (Harqui e Yuhua, 1997).
A cienciometria, como é conhecida a pesquisa quantitativa da produção científica, foi iniciada na década de 1960, quando a Unesco e a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) desenvolveram metodologias para a avaliação da atividade científica e tecnológica (Spinak, 1998 e Figueira et al., 1999). Estas metodologias são descritas nos manuais de Frascati, Oslo e Canberra e permitiram desenvolver indicadores que trazem subsídios para avaliar os recursos humanos dedicados a C&T (Ciência e Tecnologia), medir as atividades de investigação e interpretar a inovação tecnológica de determinada área da ciência ou região geográfica. Assim, dão suporte à construção do potencial científico e tecnológico das nações (Spinak, 1998).

Considera-se a cienciometria como um instrumento da sociologia da ciência. É a utilização de técnicas matemáticas e estatísticas para analisar as características da investigação científica (Spinak, 1998). Alguns índices, oriundos da bibliometria, como freqüência de artigos e citações destes em bases de dados indexadas, além do fator de impacto dos periódicos onde estes são publicados, são as ferramentas da cienciometria (Ferreira et al., 1999 e Yamamoto et al., 1999).
Dessa forma, a cienciometria aplica técnicas bibliométricas à ciência. Além disso, a cienciometria examina o desenvolvimento das políticas científicas considerando a ciência como disciplina e também como atividade econômica. Alguns temas de interesse da cienciometria são incluídos na Tabela 1. Já a bibliometria estuda a organização dos setores científicos e tecnológicos a partir das fontes bibliográficas e patentes. De maneira que mede a literatura, os documentos e outros meios de comunicação, enquanto a cienciometria se relaciona com a produtividade e utilidade científica (Spinak, 1998).

As técnicas bibliométricas e cienciométricas são importantes para, entre outras atividades: 1) identificar as tendências e o desenvolvimento do conhecimento; 2) estimar a cobertura das revistas secundárias; 3) identificar os usuários e autores das disciplinas; 4) medir a utilidade de cada disciplina; 5) identificar as revistas do núcleo de cada disciplina; 6) formular políticas de aquisição e descarte de publicações; 7) estimar a dispersão e desatualização da literatura; 8) desenhar normas para padronizar as publicações; 9) predizer a produtividade de editores, autores, organizações e países. Assim, fica claro que, para se avaliar o desempenho das instituições científicas, necessitam-se muito mais do que estatísticas econômicas que relacionam a quantidade de pessoas e a dimensão da instituição com o Produto Interno Bruto (PIB) de determinado país (Spinak, 1998).
Para tanto, utilizam-se os indicadores. Estes podem ser de publicação, que medem a quantidade e impacto das publicações (Tabela 2), e de citação, que me dem o impacto dos artigos e as relações entre as publicações (Tabela 3).

Com isso, podemos observar a evolução da Ciência brasileira nos últimos anos a partir da observação de alguns destes índices. Para tanto, uma coletânea de resultados cienciométricos e bibliométricos atuais foram demonstrados neste trabalho.

A evolução da ciência brasileira nos últimos anos

Entre os anos de 1981 e 2000, mais que quadruplicou o número de artigos científicos brasileiros em periódicos internacionais indexados ao ISI (Institut of Scientific Information), passando de 2,6 mil para 12 mil artigos por ano, o que corresponde a 1,5% da produção científica mundial (Figura 1). Vale ressaltar que o ISI possui mais de 8 mil periódicos referentes a 164 áreas do conhecimento (Marques, 2004).


Figura 1: Evolução do número de
artigos científicos indexados (x103) publicados pelo Brasil entre os anos
de 1981 e 2000 (Marques, 2004).

Brasil, Argentina, Chile e México, produziram 90% dos artigos publicados na América Latina em 2001 (Izique, 2004). Com isso, o aumento encontrado no volume de publicações brasileiras foi um dos grandes responsáveis pelo salto numérico da Ciência latino-americana. Esta apresentou nos últimos 13 anos incremento de 191%, maior do que o encontrado para em outras regiões do mundo (Figura 2). Na região das ex-repúblicas soviéticas e Leste Europeu houve decréscimo de 19% no número de artigos científicos publicados. Melhor desempenho foi alcançado pela Ásia e Norte da África, onde se observou aumento de 86% e 133% (Izique, 2004).


Figura 2: Evolução percentual do
número de publicações científicas indexadas entre os anos de 1988 e 2001
na América Latina, Norte da África,
Ásia e Leste Europeu e
ex-repúblicas soviéticas (Izique, 2004).

Mais do que o aumento no volume de publicação, um dado importante para a ciência nacional é a presença do Brasil entre os 31 países que produzem 97,5% da pesquisa mais citada do planeta. O Brasil apresenta-se em 23o lugar, saltando de 100 artigos (0,2%) entre 1993-1997, para 188 (0,5%) dos artigos mais citados entre 1997-2001 (Kling, 2004 e Marques, 2004) (Tabela 4). Deve-se ressaltar que o país neste período publicou cumulativamente 27.874 e 43.971 artigos na base de dados do ISI. Entretanto, apesar dos resultados animadores, ainda há uma grande centralização da ciência mundial. Dos artigos mais citados, 84,5% são oriundos de 8 países: Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Japão, França, Canadá, Itália e Suíça. (Kling, 2004). Ao analisar-se o total da publicação, nota-se que apenas os Estados Unidos são responsáveis por mais de 40% da pesquisa mundial, talvez o exemplo mais emblemático desta centralização (Krieger, 2002).

É notável que o incremento da pesquisa brasileira na última década vem acompanhada de um aumento no número de alunos nos cursos de pós-graduação seguido por um

decréscimo na verba governamental para a pesquisa (De Meis, 2003 e Helena e Valentimuzzi, 2004). Em correspondência à revista Nature, Helena e Valentimuzzi (2004) deixaram claro que somente o CNPq cortou 50% dos recursos de fomento no período de 1998-2002, em contraposição a um aumento de 36% no número de estudantes de pós-graduação no mesmo período. Segundo estes autores, historicamente, o governo brasileiro enfatiza a importância da ciência, porém as palavras não se transformam em ação. Apesar da defasagem em volume total, nossa ciência apresenta um perfil semelhante à ciência internacional, tanto na distribuição pelas diferentes áreas, quanto no número de artigos por cientista. As ciências da terra e meio ambiente ocupam cerca de 2% cada, tanto no Brasil quanto no exterior. Também é espelho do perfil estrangeiro a porção produzida pelas ciências biológicas, biomédicas e médicas (ciências da vida) que ultrapassa 50% e a produção das ciências exatas (engenharia, matemática, física e química), cerca de 34%. O que foge à regra é a produção das ciências humanas, as quais, no Brasil, não possuem a cultura de publicação em periódicos (De Meis, 1998 e Krieger, 2002).
Segundo De Meis (1996), este perfil deve manter-se por um longo tempo, uma vez que, em levantamento feito com 1350 estudantes do Ensino Médio carioca, obteve-se uma distribuição de áreas de interesse semelhante àquela encontrada para a publicação científica brasileira. De forma que a ciência brasileira é boa, porém pequena para o porte nacional (Krieger, 2002). O país publica 1,2% da ciência mundial, entretanto tem 3% da população do planeta. A modificação deste quadro tem como base uma mudança na tendência de financiamento para a pesquisa (Helena e Valentimuzzi, 2004).
Outra marca da ciência brasileira é seu predomínio no eixo Sul-Sudeste (Yamamoto et al., 1999). Análises feitas entre 1981-1993 e no período de 1997-2000 demonstraram que cerca de 42% dos artigos científicos brasileiros são oriundos de apenas cinco instituições, em ordem crescente de importância: UFRGS, UFMG, Unicamp, UFRJ e USP. De forma interessante, estas instituições também mantém o maior número de cursos de pós-graduação com conceito 6 e 7 (maiores conceitos) da Capes. Porém, na avaliação entre 1981-1993, quando se mediu a produtividade ou número de artigos por pesquisador, estas instituições somente surgiram após o terceiro lugar, ocupado pela UFRJ (De Meis, 1996 e De Meis et al., 2003). Mais uma vez, aponta-se a democratização dos meios de produção científica como saída para minimizar este desequilíbrio regional (Yamamoto et al., 1999).
A relação entre o financiamento e os rumos da pesquisa é registrada desde o século XVII. O próprio Galileu tinha de se comportar como cortesão em Florença e a Academia Francesa de Ciência era estimulada a deixar as pesquisas curiosas e se dedicar à pesquisas úteis ao serviço do rei e ao Estado. De forma que o fomento científico, inicialmente de caráter privado e posteriormente público, não pode ser desmembrado da própria Revolução Científica (Burke, 2003).
Atualmente, as agências de fomento nacionais, tais como CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e FAPs (Fundações de Amparo à Pesquisa) nos diversos Estados, avaliam o pesquisador e as equipes de pesquisa através dos índices bibliométricos, dando peso maior às publicações em periódicos internacionais de grande impacto (De Meis, 2003 e Luiz, 2003). Em contrapartida, as reduções das verbas têm criado um ambiente de trabalho estressante, levando o pesquisador à síndrome de esgotamento e ao sofrimento mental (De Meis, 2003).
É claro que, de acordo com a orientação da pesquisa, o requerimento de publicação é modificado. A ciência puramente básica tem sua demanda voltada para a publicação, enquanto a ciência aplicada pretende atender à demanda social com registros de patentes que podem vir em detrimento da publicação. Porém, não é correto afirmar que há incoerência entre pesquisa aplicada e publicação e mesmo que não possam existir pesquisas duplamente orientadas. A pesquisa básica com utilização prática é um dos perfis possíveis da relação social da ciência, descrito pelo modelo do Quadrante Pasteur (Martins, 1999).
Até mesmo a avaliação dos programas de pós-graduação feita pela Capes leva em consideração, entre outros pontos, a elaboração de publicações científicas em periódicos indexados a partir do trabalho de tese. Todavia, alguns parâmetros utilizados pelas bases de indexação internacionais apresentam problemas de difícil solução. Segundo Yamamoto et al. (1999) e Luiz (2003), um destes problemas seria a língua na qual os trabalhos são redigidos, o inglês. Até mesmo algumas revistas nacionais de maior prestígio e que pretendem manter-se ou alcançar a indexação só publicam em inglês ou incentivam seus colaboradores a publicarem na língua estrangeira (Luiz, 2003).
Segundo Luiz (2003), a atitude de apresentar a ciência brasileira em língua estrangeira está em desacordo com os interesses nacionais, no que diz respeito a um desenvolvimento científico e tecnológico sustentável, com resultados revertidos à nossa sociedade. Este autor aponta que muitas dificuldades são encontradas por grande parte da comunidade acadêmica, principalmente por parte dos alunos de graduação e pós-graduação, na interpretação dos textos em línguas estrangeiras. Este fato levaria a equívocos científicos e a um desvio da produção científica, pois grande tempo seria demandado aos pesquisadores no estudo de línguas (Luiz, 2003).
Apesar de teses em contrário, a pouca penetração da língua portuguesa na comunidade científica mundial é uma das críticas nacionais aos nossos periódicos técnicos e científicos. O baixo grau de originalidade e novidade dos artigos científicos é outra crítica formulada em âmbito nacional. Além disso, internacionalmente, critica-se a proliferação de periódicos no tocante à irregularidade na publicação e distribuição, falta de corpo editorial e referees e carência de normatização dos artigos e da revista (Krzyzanowski e Ferreira, 1998).
Entretanto, o incremento das publicações nacionais tem sido apontado como uma das possibilidades para democratizar a ciência brasileira (Yamamoto et al., 1999). Contudo, este movimento não pode vir desvinculado da crescente qualidade dos trabalhos. Para Yamamoto et al. (1999), devem ser mantidos e aperfeiçoados os processos estabelecidos pelos pares de depuração das publicações. Apesar de pairar a subjetividade e a parcialidade típicas das atividades humanas, estas avaliações ainda são a melhor garantia para as revistas nacionais.
Deve ficar claro que os problemas encontrados pelos periódicos nacionais ultrapassam o idioma ou a qualidade na avaliação das publicações. Em consulta à página eletrônica do Brazilian Journal of Medical and Biological Research, revista brasileira de impacto internacional, podia-se encontrar editorial expondo aos autores a necessidade de cobrança por página publicada, uma vez que o fomento governamental às edições havia decaído (www.scielo.br, 2003). A carência de recursos é, sem dúvidas, uma das maiores preocupações nacionais, uma vez que impede os editores de manter a independência de suas revistas (Krzyzanowski e Ferreira, 1998).
Os problemas encontrados pelos periódicos científicos dos países periféricos, em particular do Brasil, apresentam diretamente como conseqüência a baixa aceitabilidade destas revistas no meio técnico científico internacional e sua restrita indexação nos índices bibliográficos (Krzyzanowski e Ferreira, 1998). Deve-se levar em consideração, contudo, que as ferramentas utilizadas pelos indexadores internacionais, em especial pelo ISI, selecionam revistas com parcialidade e não são adequados, nem suficientes para avaliar C&T dos países em vias de desenvolvimento (Spinak, 1998).
Isto se deve principalmente ao fato desta ciência internacional ser representação das ciências nacionais dos países centrais, uma vez que a ciência de uma determinada região é reflexo de suas relações sócio-econômicas. Quando são analisados os investimentos feitos em C&T por todos os países da América Latina e Caribe, vê-se que não passa de uma fração daquilo que apenas os Estados Unidos aplicam nesta área, excetuando-se os gastos na indústria da defesa e aeroespacial (Spinak, 1998).
As causas da carente indexação dos periódicos, oriundas de países em desenvolvimento, se devem, ainda, a uma razão epistemológica que tem explicação no processo histórico de constituição das listas de revistas do ISI (Spinak, 1998). Spinak (1989) denomina este problema como “caudas de cometas”. Isto é, este problema se deve ao fato de que, em qualquer campo da ciência, os artigos se concentram nas mesmas revistas multidisciplinares de alto impacto que os cobre como “caudas de cometas”. De forma que com cerca de 3 mil revistas indexadas no ISI, cobre-se mais que suficientemente 90% da literatura que realmente importa.
Com isso, devemos constituir nossas próprias bases de dados, como o projeto Bireme (Centro Latino-Americano de Informação em Ciências da Saúde), que utilizem indicadores bibliométricos e cienciométricos mais adequados à realidade regional. Além disso, estas bases devem cobrir uma amostra suficientemente representativa da nossa atividade científica, permitindo obter resultados válidos e comparáveis, de acordo com nossas necessidades políticas, científicas e de desenvolvimento (Spinak, 1989).

Conclusão
A cienciometria permite desenvolver indicadores que trazem subsídios para avaliar os recursos humanos dedicados à C&T. Além disso, tais indicadores permitem medir as atividades de investigação e para interpretar a inovação tecnológica de determinada área da ciência ou região geográfica. Contudo, a análise quantitativa da produção científica não deve prescindir a avaliação das características particulares, sociais, econômicas entre outras, de cada unidade.
Nas últimas duas décadas, mais que quadruplicou o número de artigos científicos brasileiros em periódicos no ISI. Outro dado importante para a ciência nacional é a presença do Brasil entre os 31 países que produzem 97,5% da pesquisa mais citada do planeta.
O incremento da pesquisa brasileira na última década apresentou uma característica peculiar e ambígua. Foi acompanhada de um aumento no número de alunos nos programs de pós-graduação e seguido pelo decréscimo na verba governamental para a pesquisa. Apesar de ainda apresentar um volume aquém do encontrado em outros países, nossa ciência possui um perfil semelhante ao da ciência internacional, tanto na distribuição pelas diferentes áreas, quanto no número de artigos publicados por cientista. Outra marca da ciência brasileira é seu predomínio no eixo Sul-Sudeste.
Por fim, deve-se levar em consideração que as ferramentas utilizadas pelos indexadores internacionais, selecionam revistas com certa parcialidade e não são adequados para avaliar C&T dos países periféricos. Isto pode ser solucionado, ao menos em parte, com a construção de nossas próprias bases de dados, que utilizem indicadores bibliométricos e cienciométricos voltados à realidade regional.

Rodrigo Grazinoli Garrido
Biomédico (CRBM-1 8568), mestre em Ciências Farmacêuticas, doutorando em
Ciência do Solo. Laboratório de Nutrição
de Plantas, Depto. de Solos,
Instituto de Agronomia, UFRRJ.
E-mail: saudeeambiente@ig.com.br

Fabíola de Sampaio Rodrigues
Bióloga, mestre e
doutora em Ciência do Solo.

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