Introdução
Muitos estudiosos denominam a sociedade atual
como a sociedade do conhecimento, onde quem domina
são os profissionais especialistas e seus métodos
científicos. O campo da economia também já
se rendeu às ocupações produtoras e disseminadoras
do conhecimento. Tal é a influência, que a economia
do conhecimento tornou-se área comum de interesse
dessa ciência. Além disso, o conhecimento se
tornou uma importante questão política pública
e privada e certamente no futuro irão se reportar a
este tempo como a era do conhecimento (Burke, 2003).
Apesar da flagrante importância que o mundo atual delega
ao conhecimento, alguns países, principalmente os periféricos,
como o Brasil, ainda sente dificuldades na transformação
plena do conhecimento gerado em inovação tecnológica
que apóiem o desenvolvimento socioeconômico da
nação (Luiz, 2003). Uma das causas apontadas
para este fato seria a jovialidade (30 ou 40 anos) da base
científica nacional. Entretanto, aposta-se que o estímulo
governamental às universidades solicitadas a formar
recursos humanos pode mudar rapidamente este quadro (Krieger,
2002).
Uma iniciativa governamental recente, na tentativa de mudar
este quadro no Brasil, seria o Projeto de Lei da Inovação
Tecnológica. Elaborado pelo Executivo Federal e enviado
ao Legislativo em 2004, este projeto, apesar de inúmeras
críticas, previa aumentar a flexibilidade das Instituições
Científicas e Tecnológicas (ICT) facilitando
as associações público-privadas e desburocratizando
os contratos e licenças de recursos humanos envolvidos
nos processos de inovação tecnológica.
Acrescenta-se a isto o estímulo ao pesquisador e às
ICT, por meio de fundos de investimentos, e à gestão
da inovação com direcionamento para registros
de patentes e a transferência de tecnologia.
Avaliando alguns índices bibliométricos e cienciométricos,
pode-se constatar que as mudanças na produção
científica brasileira foram bastante expressivas nos
últimos 10 anos. O Brasil ultrapassou nos últimos
anos 1% do total da pesquisa científica publicada em
bases indexadas no mundo (Krieger, 2002).
O que são
os índices cienciométricos?
Com o desenvolvimento da ciência moderna, várias
de suas características passaram a ser completamente
refletidas no número anual de publicações.
De forma que, atualmente, pode-se considerar a ciência
como um sistema de produção de informação,
sobretudo informação publicada em formas permanentes
e disponíveis para o uso (Spinak, 1989). Com isso,
a avaliação da performance científica
de uma região ou país pode ser feita em termos
dos trabalhos publicados, por meio da observação
dos seus índices bibliométricos (Harqui e Yuhua,
1997).
A cienciometria, como é conhecida a pesquisa quantitativa
da produção científica, foi iniciada
na década de 1960, quando a Unesco e a OCDE (Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)
desenvolveram metodologias para a avaliação
da atividade científica e tecnológica (Spinak,
1998 e Figueira et al., 1999). Estas metodologias são
descritas nos manuais de Frascati, Oslo e Canberra e permitiram
desenvolver indicadores que trazem subsídios para avaliar
os recursos humanos dedicados a C&T (Ciência e Tecnologia),
medir as atividades de investigação e interpretar
a inovação tecnológica de determinada
área da ciência ou região geográfica.
Assim, dão suporte à construção
do potencial científico e tecnológico das nações
(Spinak, 1998).
Considera-se a cienciometria como um instrumento
da sociologia da ciência. É a utilização
de técnicas matemáticas e estatísticas
para analisar as características da investigação
científica (Spinak, 1998). Alguns índices, oriundos
da bibliometria, como freqüência de artigos e citações
destes em bases de dados indexadas, além do fator de
impacto dos periódicos onde estes são publicados,
são as ferramentas da cienciometria (Ferreira et al.,
1999 e Yamamoto et al., 1999).
Dessa forma, a cienciometria aplica técnicas bibliométricas
à ciência. Além disso, a cienciometria
examina o desenvolvimento das políticas científicas
considerando a ciência como disciplina e também
como atividade econômica. Alguns temas de interesse
da cienciometria são incluídos na Tabela 1.
Já a bibliometria estuda a organização
dos setores científicos e tecnológicos a partir
das fontes bibliográficas e patentes. De maneira que
mede a literatura, os documentos e outros meios de comunicação,
enquanto a cienciometria se relaciona com a produtividade
e utilidade científica (Spinak, 1998).

As técnicas bibliométricas e cienciométricas
são importantes para, entre outras atividades: 1) identificar
as tendências e o desenvolvimento do conhecimento; 2)
estimar a cobertura das revistas secundárias; 3) identificar
os usuários e autores das disciplinas; 4) medir a utilidade
de cada disciplina; 5) identificar as revistas do núcleo
de cada disciplina; 6) formular políticas de aquisição
e descarte de publicações; 7) estimar a dispersão
e desatualização da literatura; 8) desenhar
normas para padronizar as publicações; 9) predizer
a produtividade de editores, autores, organizações
e países. Assim, fica claro que, para se avaliar o
desempenho das instituições científicas,
necessitam-se muito mais do que estatísticas econômicas
que relacionam a quantidade de pessoas e a dimensão
da instituição com o Produto Interno Bruto (PIB)
de determinado país (Spinak, 1998).
Para tanto, utilizam-se os indicadores. Estes podem ser de
publicação, que medem a quantidade e impacto
das publicações (Tabela 2), e de citação,
que me dem o impacto dos artigos e as relações
entre as publicações (Tabela 3).


Com isso, podemos observar a evolução
da Ciência brasileira nos últimos anos a partir
da observação de alguns destes índices.
Para tanto, uma coletânea de resultados cienciométricos
e bibliométricos atuais foram demonstrados neste trabalho.
A evolução
da ciência brasileira nos últimos anos
Entre os anos de 1981 e 2000, mais que quadruplicou o número
de artigos científicos brasileiros em periódicos
internacionais indexados ao ISI (Institut of Scientific Information),
passando de 2,6 mil para 12 mil artigos por ano, o que corresponde
a 1,5% da produção científica mundial
(Figura 1). Vale ressaltar que o ISI possui mais de 8 mil
periódicos referentes a 164 áreas do conhecimento
(Marques, 2004).

Figura 1: Evolução do número de
artigos científicos indexados (x103) publicados pelo
Brasil entre os anos
de 1981 e 2000 (Marques, 2004).
Brasil, Argentina, Chile e México, produziram
90% dos artigos publicados na América Latina em 2001
(Izique, 2004). Com isso, o aumento encontrado no volume de
publicações brasileiras foi um dos grandes responsáveis
pelo salto numérico da Ciência latino-americana.
Esta apresentou nos últimos 13 anos incremento de 191%,
maior do que o encontrado para em outras regiões do
mundo (Figura 2). Na região das ex-repúblicas
soviéticas e Leste Europeu houve decréscimo
de 19% no número de artigos científicos publicados.
Melhor desempenho foi alcançado pela Ásia e
Norte da África, onde se observou aumento de 86% e
133% (Izique, 2004).

Figura 2: Evolução percentual do
número de publicações científicas
indexadas entre os anos de 1988 e 2001
na América Latina, Norte da África,
Ásia e Leste Europeu e
ex-repúblicas soviéticas (Izique, 2004).
Mais do que o aumento no volume de publicação,
um dado importante para a ciência nacional é
a presença do Brasil entre os 31 países que
produzem 97,5% da pesquisa mais citada do planeta. O Brasil
apresenta-se em 23o lugar, saltando de 100 artigos (0,2%)
entre 1993-1997, para 188 (0,5%) dos artigos mais citados
entre 1997-2001 (Kling, 2004 e Marques, 2004) (Tabela 4).
Deve-se ressaltar que o país neste período publicou
cumulativamente 27.874 e 43.971 artigos na base de dados do
ISI. Entretanto, apesar dos resultados animadores, ainda há
uma grande centralização da ciência mundial.
Dos artigos mais citados, 84,5% são oriundos de 8 países:
Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Japão, França,
Canadá, Itália e Suíça. (Kling,
2004). Ao analisar-se o total da publicação,
nota-se que apenas os Estados Unidos são responsáveis
por mais de 40% da pesquisa mundial, talvez o exemplo mais
emblemático desta centralização (Krieger,
2002).

É notável que o incremento da
pesquisa brasileira na última década vem acompanhada
de um aumento no número de alunos nos cursos de pós-graduação
seguido por um
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decréscimo na verba governamental para a pesquisa (De
Meis, 2003 e Helena e Valentimuzzi, 2004). Em correspondência
à revista Nature, Helena e Valentimuzzi (2004) deixaram
claro que somente o CNPq cortou 50% dos recursos de fomento
no período de 1998-2002, em contraposição
a um aumento de 36% no número de estudantes de pós-graduação
no mesmo período. Segundo estes autores, historicamente,
o governo brasileiro enfatiza a importância da ciência,
porém as palavras não se transformam em ação.
Apesar da defasagem em volume total, nossa ciência apresenta
um perfil semelhante à ciência internacional, tanto
na distribuição pelas diferentes áreas,
quanto no número de artigos por cientista. As ciências
da terra e meio ambiente ocupam cerca de 2% cada, tanto no Brasil
quanto no exterior. Também é espelho do perfil
estrangeiro a porção produzida pelas ciências
biológicas, biomédicas e médicas (ciências
da vida) que ultrapassa 50% e a produção das ciências
exatas (engenharia, matemática, física e química),
cerca de 34%. O que foge à regra é a produção
das ciências humanas, as quais, no Brasil, não
possuem a cultura de publicação em periódicos
(De Meis, 1998 e Krieger, 2002).
Segundo De Meis (1996), este perfil deve manter-se por um longo
tempo, uma vez que, em levantamento feito com 1350 estudantes
do Ensino Médio carioca, obteve-se uma distribuição
de áreas de interesse semelhante àquela encontrada
para a publicação científica brasileira.
De forma que a ciência brasileira é boa, porém
pequena para o porte nacional (Krieger, 2002). O país
publica 1,2% da ciência mundial, entretanto tem 3% da
população do planeta. A modificação
deste quadro tem como base uma mudança na tendência
de financiamento para a pesquisa (Helena e Valentimuzzi, 2004).
Outra marca da ciência brasileira é seu predomínio
no eixo Sul-Sudeste (Yamamoto et al., 1999). Análises
feitas entre 1981-1993 e no período de 1997-2000 demonstraram
que cerca de 42% dos artigos científicos brasileiros
são oriundos de apenas cinco instituições,
em ordem crescente de importância: UFRGS, UFMG, Unicamp,
UFRJ e USP. De forma interessante, estas instituições
também mantém o maior número de cursos
de pós-graduação com conceito 6 e 7 (maiores
conceitos) da Capes. Porém, na avaliação
entre 1981-1993, quando se mediu a produtividade ou número
de artigos por pesquisador, estas instituições
somente surgiram após o terceiro lugar, ocupado pela
UFRJ (De Meis, 1996 e De Meis et al., 2003). Mais uma vez, aponta-se
a democratização dos meios de produção
científica como saída para minimizar este desequilíbrio
regional (Yamamoto et al., 1999).
A relação entre o financiamento e os rumos da
pesquisa é registrada desde o século XVII. O próprio
Galileu tinha de se comportar como cortesão em Florença
e a Academia Francesa de Ciência era estimulada a deixar
as pesquisas curiosas e se dedicar à pesquisas úteis
ao serviço do rei e ao Estado. De forma que o fomento
científico, inicialmente de caráter privado e
posteriormente público, não pode ser desmembrado
da própria Revolução Científica
(Burke, 2003).
Atualmente, as agências de fomento nacionais, tais como
CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico), Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior) e FAPs (Fundações
de Amparo à Pesquisa) nos diversos Estados, avaliam o
pesquisador e as equipes de pesquisa através dos índices
bibliométricos, dando peso maior às publicações
em periódicos internacionais de grande impacto (De Meis,
2003 e Luiz, 2003). Em contrapartida, as reduções
das verbas têm criado um ambiente de trabalho estressante,
levando o pesquisador à síndrome de esgotamento
e ao sofrimento mental (De Meis, 2003).
É claro que, de acordo com a orientação
da pesquisa, o requerimento de publicação é
modificado. A ciência puramente básica tem sua
demanda voltada para a publicação, enquanto a
ciência aplicada pretende atender à demanda social
com registros de patentes que podem vir em detrimento da publicação.
Porém, não é correto afirmar que há
incoerência entre pesquisa aplicada e publicação
e mesmo que não possam existir pesquisas duplamente orientadas.
A pesquisa básica com utilização prática
é um dos perfis possíveis da relação
social da ciência, descrito pelo modelo do Quadrante Pasteur
(Martins, 1999).
Até mesmo a avaliação dos programas de
pós-graduação feita pela Capes leva em
consideração, entre outros pontos, a elaboração
de publicações científicas em periódicos
indexados a partir do trabalho de tese. Todavia, alguns parâmetros
utilizados pelas bases de indexação internacionais
apresentam problemas de difícil solução.
Segundo Yamamoto et al. (1999) e Luiz (2003), um destes problemas
seria a língua na qual os trabalhos são redigidos,
o inglês. Até mesmo algumas revistas nacionais
de maior prestígio e que pretendem manter-se ou alcançar
a indexação só publicam em inglês
ou incentivam seus colaboradores a publicarem na língua
estrangeira (Luiz, 2003).
Segundo Luiz (2003), a atitude de apresentar a ciência
brasileira em língua estrangeira está em desacordo
com os interesses nacionais, no que diz respeito a um desenvolvimento
científico e tecnológico sustentável, com
resultados revertidos à nossa sociedade. Este autor aponta
que muitas dificuldades são encontradas por grande parte
da comunidade acadêmica, principalmente por parte dos
alunos de graduação e pós-graduação,
na interpretação dos textos em línguas
estrangeiras. Este fato levaria a equívocos científicos
e a um desvio da produção científica, pois
grande tempo seria demandado aos pesquisadores no estudo de
línguas (Luiz, 2003).
Apesar de teses em contrário, a pouca penetração
da língua portuguesa na comunidade científica
mundial é uma das críticas nacionais aos nossos
periódicos técnicos e científicos. O baixo
grau de originalidade e novidade dos artigos científicos
é outra crítica formulada em âmbito nacional.
Além disso, internacionalmente, critica-se a proliferação
de periódicos no tocante à irregularidade na publicação
e distribuição, falta de corpo editorial e referees
e carência de normatização dos artigos e
da revista (Krzyzanowski e Ferreira, 1998).
Entretanto, o incremento das publicações nacionais
tem sido apontado como uma das possibilidades para democratizar
a ciência brasileira (Yamamoto et al., 1999). Contudo,
este movimento não pode vir desvinculado da crescente
qualidade dos trabalhos. Para Yamamoto et al. (1999), devem
ser mantidos e aperfeiçoados os processos estabelecidos
pelos pares de depuração das publicações.
Apesar de pairar a subjetividade e a parcialidade típicas
das atividades humanas, estas avaliações ainda
são a melhor garantia para as revistas nacionais.
Deve ficar claro que os problemas encontrados pelos periódicos
nacionais ultrapassam o idioma ou a qualidade na avaliação
das publicações. Em consulta à página
eletrônica do Brazilian Journal of Medical and Biological
Research, revista brasileira de impacto internacional, podia-se
encontrar editorial expondo aos autores a necessidade de cobrança
por página publicada, uma vez que o fomento governamental
às edições havia decaído (www.scielo.br,
2003). A carência de recursos é, sem dúvidas,
uma das maiores preocupações nacionais, uma vez
que impede os editores de manter a independência de suas
revistas (Krzyzanowski e Ferreira, 1998).
Os problemas encontrados pelos periódicos científicos
dos países periféricos, em particular do Brasil,
apresentam diretamente como conseqüência a baixa
aceitabilidade destas revistas no meio técnico científico
internacional e sua restrita indexação nos índices
bibliográficos (Krzyzanowski e Ferreira, 1998). Deve-se
levar em consideração, contudo, que as ferramentas
utilizadas pelos indexadores internacionais, em especial pelo
ISI, selecionam revistas com parcialidade e não são
adequados, nem suficientes para avaliar C&T dos países
em vias de desenvolvimento (Spinak, 1998).
Isto se deve principalmente ao fato desta ciência internacional
ser representação das ciências nacionais
dos países centrais, uma vez que a ciência de uma
determinada região é reflexo de suas relações
sócio-econômicas. Quando são analisados
os investimentos feitos em C&T por todos os países
da América Latina e Caribe, vê-se que não
passa de uma fração daquilo que apenas os Estados
Unidos aplicam nesta área, excetuando-se os gastos na
indústria da defesa e aeroespacial (Spinak, 1998).
As causas da carente indexação dos periódicos,
oriundas de países em desenvolvimento, se devem, ainda,
a uma razão epistemológica que tem explicação
no processo histórico de constituição das
listas de revistas do ISI (Spinak, 1998). Spinak (1989) denomina
este problema como caudas de cometas. Isto é,
este problema se deve ao fato de que, em qualquer campo da ciência,
os artigos se concentram nas mesmas revistas multidisciplinares
de alto impacto que os cobre como caudas de cometas.
De forma que com cerca de 3 mil revistas indexadas no ISI, cobre-se
mais que suficientemente 90% da literatura que realmente importa.
Com isso, devemos constituir nossas próprias bases de
dados, como o projeto Bireme (Centro Latino-Americano de Informação
em Ciências da Saúde), que utilizem indicadores
bibliométricos e cienciométricos mais adequados
à realidade regional. Além disso, estas bases
devem cobrir uma amostra suficientemente representativa da nossa
atividade científica, permitindo obter resultados válidos
e comparáveis, de acordo com nossas necessidades políticas,
científicas e de desenvolvimento (Spinak, 1989).
Conclusão
A cienciometria permite desenvolver indicadores que trazem subsídios
para avaliar os recursos humanos dedicados à C&T.
Além disso, tais indicadores permitem medir as atividades
de investigação e para interpretar a inovação
tecnológica de determinada área da ciência
ou região geográfica. Contudo, a análise
quantitativa da produção científica não
deve prescindir a avaliação das características
particulares, sociais, econômicas entre outras, de cada
unidade.
Nas últimas duas décadas, mais que quadruplicou
o número de artigos científicos brasileiros em
periódicos no ISI. Outro dado importante para a ciência
nacional é a presença do Brasil entre os 31 países
que produzem 97,5% da pesquisa mais citada do planeta.
O incremento da pesquisa brasileira na última década
apresentou uma característica peculiar e ambígua.
Foi acompanhada de um aumento no número de alunos nos
programs de pós-graduação e seguido pelo
decréscimo na verba governamental para a pesquisa. Apesar
de ainda apresentar um volume aquém do encontrado em
outros países, nossa ciência possui um perfil semelhante
ao da ciência internacional, tanto na distribuição
pelas diferentes áreas, quanto no número de artigos
publicados por cientista. Outra marca da ciência brasileira
é seu predomínio no eixo Sul-Sudeste.
Por fim, deve-se levar em consideração que as
ferramentas utilizadas pelos indexadores internacionais, selecionam
revistas com certa parcialidade e não são adequados
para avaliar C&T dos países periféricos. Isto
pode ser solucionado, ao menos em parte, com a construção
de nossas próprias bases de dados, que utilizem indicadores
bibliométricos e cienciométricos voltados à
realidade regional. 
Rodrigo Grazinoli Garrido
Biomédico (CRBM-1 8568), mestre em Ciências Farmacêuticas,
doutorando em
Ciência do Solo. Laboratório de Nutrição
de Plantas, Depto. de Solos,
Instituto de Agronomia, UFRRJ.
E-mail: saudeeambiente@ig.com.br
Fabíola de Sampaio Rodrigues
Bióloga, mestre e
doutora em Ciência do Solo.
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