las
representam uma chance para a descoberta de tratamentos para doenças
incuráveis como mal de Parkinson, diabetes, lesões
na medula e graves problemas no coração. As células-tronco
embrionárias estão hoje no centro das atenções
das pesquisas científicas do mundo. No Brasil, 2 de março
de 2005 representou o início para o processo de estudos
com esse tipo de célula. Com a aprovação
da Lei de Biossegurança no Congresso Nacional, foi autorizada
a manipulação de embriões congelados há
mais de três anos nas clínicas de fertilização,
que não serão utilizados por não terem a
capacidade de se desenvolverem em feto ou por serem excedentes.
O Ministério da Saúde e o Ministério da Ciência
e Tecnologia, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq), anunciaram o lançamento
breve de um edital no valor de R$ 5 milhões para financiar
estudos com células-tronco. Os recursos serão usados
para custear as chamadas pesquisas em fase pré-clínica
(estudos de bancada e experimentos com animais) e clínica
(experimentos em seres humanos). O diretor do Departamento de
Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde,
Reinaldo Guimarães, diz que a publicação
do edital já estava prevista antes da aprovação
da Lei de Biossegurança, porém englobava apenas
experimentos com células-tronco adultas e de cordão
umbilical. Agora, os recursos também serão usados
para estudos com as embrionárias.
Para distribuição dos recursos e escolha dos centros
que receberão o financiamento, serão observados
critérios regionais. No mínimo 30% dos recursos
serão destinados a regiões menos desenvolvidas do
país como Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com exceção
do Distrito Federal.
APLICAÇÃO TERAPÊUTICA Para
a realização de estudos com células-tronco
embrionárias, a Lei de Biossegurança apresenta
algumas restrições. Uma delas diz que os embriões
só poderão ser usados por meio de doação,
com o consentimento dos pais, e precisam estar congelados há
mais de três anos. Não se permitirá o comércio
desses embriões, nem sua produção e manipulação
genética. Está vetada a clonagem humana.
Os cientistas acreditam que mais do que uma aplicação
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terapêutica, a principal contribuição
das células-tronco embrionárias será
para o conhecimento do mecanismo de diferenciação
celular, chamado de transdiferenciação. As células-tronco
são capazes de se transformar nos mais variados tecidos
do organismo. Além do embrião, elas encontram-se
no organismo adulto e no sangue do cordão umbilical.
As células-tronco embrionárias são as
que possuem potencial para se transformar em qualquer outro
tipo de célula do corpo humano. O objetivo principal
das pesquisas clínicas e pré-clínicas
que vamos financiar é conhecer todo o processo, para
podermos, nas etapas mais avançadas, ter um conhecimento
maior sobre mecanismos de transdiferenciação,
explica Reinaldo Guimarães.
O Ministério da Saúde pretende utilizar o potencial
de transformação das células-tronco embrionárias
para o tratamento de uma série de doenças e
também para reconstituição de tecidos,
de pele, de ossos e de dentes.
DOENÇAS CARDÍACAS O Ministério
da Saúde está investindo no maior estudo com
células-tronco adultas para tratamento de doenças
do coração já realizado no mundo. O objetivo
é verificar a viabilidade da substituição
dos tratamentos tradicionais de cardíacos pela terapia
com células-tronco. Serão investidos R$ 13 milhões
para a avaliação de 1,2 mil pacientes com problemas
no coração.
A pesquisa patrocinada pelo Ministério da Saúde
envolverá grupos de portadores de quatro diferentes
doenças: infarto agudo do miocárdio, doença
isquêmica crônica do coração, cardiomiopatia
dilatada e cardiopatia chagásica.
Os 1,2 mil pacientes avaliados serão divididos em grupos,
com 300 pessoas cada, de acordo com o tipo de doença.
Em cada um dos grupos, a metade receberá o tratamento
tradicional e a outra parte será submetida à
terapia celular. Nesse caso, cada paciente receberá
células-tronco de sua própria medula óssea.
Os outros terão acesso ao tratamento tradicional, com
os melhores recursos farmacológicos ou cirúrgicos
disponíveis.
Se for comprovada a efetividade do uso das células-tronco
no tratamento de doenças cardíacas, isso pode
significar uma redução de cerca R$ 37 milhões
por mês nos gastos do Sistema Único de Saúde
(SUS). 
(Fonte: Ministério da Saúde)
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