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Biomédica é pioneira na Marinha
Maria Amélia Leal da Silva já está trabalhando no laboratório da Marinha em Rio Grande e
considera fundamental a luta dos Conselhos para a abertura do mercado profissional.
rimeira biomédica a ingressar na Marinha, Maria Amélia Leal da Silva está feliz com a nova fase de sua vida e com o fato de ter aberto as portas da Força para outros profissionais. “Estou muito feliz porque, agora que uma biomédica entrou para a Marinha, outros profissionais podem conseguir também”, acredita a biomédica, que teve seu feito registrado na última edição da Revista do Biomédico. Ela está trabalhando
desde o dia 10 de janeiro no laboratório do Comando do V Distrito Naval (que abrange a Região Sul do País), com sede no município de Rio Grande (RS).
Maria Amélia não se cansa de enfatizar a importância do trabalho dos Conselhos Federal e Regional de Biomedicina para sua vitória pessoal e profissional e também para a abertura do mercado para os biomédicos.
“O papel dos Conselhos é fundamental. Foi por meio do trabalho deles que houve a liminar que me permitiu prestar o concurso e tomar posse”, lembra. “Se não houvesse o trabalho dos Conselhos, acho que a coisa não sairia do lugar.”

NOVAS OPORTUNIDADES — Esse esforço é ainda mais importante no momento atual, em que o mercado de trabalho se

estreita nos grandes centros urbanos. “O desemprego é grande e é sempre bom ter mais uma opção de trabalho para o biomédico”, afirma Maria Amélia, que é paulista e não se sente incomodada por ter mudado de cidade. “Mesmo ficando longe da minha família, este trabalho está sendo bom para mim, tanto profissional quanto pessoalmente.”
Maria Amélia espera agora com ansiedade a aprovação do Projeto de Lei nº 3.095/04, de autoria do deputado federal Lobbe Neto, que autoriza o Poder Executivo a criar a carreira de oficial biomédico no âmbito do Ministério da Defesa. Isso porque ela entrou para o pessoal civil da Marinha e só poderá passar para o pessoal militar caso o projeto seja aprovado.
A inclusão como militar tem vantagens como salário maior e a possibilidade de ocupar moradia oferecida pela Força. “Espero que o pessoal do Conselho também consiga essa vitória”, torce.
A biomédica tomou posse do cargo no dia 4 de janeiro e mudou para Rio Grande no dia 10, quando começou a trabalhar. Na Marinha, além de ter todos os direitos trabalhistas, como férias e 13º, Maria Amélia conta com estabilidade no emprego, por ser concursada, e um salário equivalente ao da iniciativa privada.

Como proceder para participar de concurso público

e acordo com recomendação do Departamento Jurídico do CRBM, o profissional biomédico interessado em participar de concursos públicos para provimentos de vagas nos quadros das Força Armadas deve assim proceder:
Permanecer atendo às chamadas publicitárias sobre o assunto.
Manter em ordem os documentos pessoais e os relacionados com a profissão.
Verificar se esses editais têm por fim a contratação de profissionais da área de saúde cujo objeto esteja nas habilitações conferidas pelo CRBM.
Acompanhar as publicações de editais sobre concursos públicos no Ministério da Defesa.
Atender as exigências do edital e procurar inscrever-se. Se houver impedimento, exigir a negativa por escrito e encaminhar todos os documentos para o CRBM para as devidas providências.

“Estou muito feliz porque agora que uma biomédica entrou para a Marinha outros profissionais podem conseguir também.”

Maria Amélia Leal da Silva

Conquista obtida com muito esforço
esmo jovem, Maria Amélia percorreu um longo caminho até chegar a Rio Grande. Paulista de Tupã, Interior de São Paulo, morava em Osvaldo Cruz quando cursou Biomedicina na UniMar, em Marília. Formou-se no final de 2001 e fez estágio durante nove meses no Hemocentro de Marília. Depois, mudou-se para a Capital a fim de realizar mais um estágio, de um ano, no Laboratório de Sistema Complemento (área de Imunologia) do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo.
Sem conseguir efetivação, chegou a ficar desempregada durante três meses, época em que começou a prestar concursos — passou em vários, como um da Prefeitura de São Paulo, mas não era chamada. Nessa fase, sua mãe, Maria Vilma, visitou o site do Conselho Federal de Biomedicina em busca de uma oportunidade para a filha e soube que havia sido obtida uma liminar que garantia ao biomédico o direito de participar do concurso público para preenchimento de vagas no Quadro de Pessoal Civil da Marinha, aberto em março do ano passado. Inicialmente, os biomédicos não estavam incluídos na convocação, mas o juiz da 16ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro concedeu a liminar contra ato do almirante Kleber Luciano de Assis, diretor de ensino da Marinha, autorizando a participação dos profissionais.
Maria Amélia prestou o concurso, sem muita esperança. “Não imaginava que fosse dar certo”, confessa agora. Começara a trabalhar no laboratório do Hospital São Camilo, no bairro de
Santana, Capital, quando soube que tinha sido aprovada no concurso da Marinha. Enquanto juntava a série enorme de documentos exigidos para sua contratação, Maria Amélia foi beneficiada por outra decisão judicial, agora do Tribunal Regional Federal – 2, que julgou o mérito que confirmou a liminar e permitiu que ela tomasse posse. A sentença foi publicada no Diário Oficial do Estado em 30 de setembro de 2004.

NOVOS ARES — Maria Amélia escolheu Rio Grande para trabalhar, embora dispusesse de outras opções, como Rio e Recife, e está feliz lá, no extremo sul do País — a cidade fica a duas horas de Chuí. “O pessoal, tanto da Marinha quanto da cidade, é hospitaleiro e fui muito bem recebida”, conta. O laboratório atende aos militares e dependentes, que são em grande número, porque é em Rio Grande que está localizado o Comando do V Distrito Naval, que abrange toda a Região Sul. O laboratório é chefiado por uma farmacêutica e conta também com um técnico em Patologia, além de pessoal de apoio.
A biomédica de 25 anos contou com a ajuda da mãe para a mudança e agora vive sozinha num apartamento em Rio Grande, cidade mais antiga do Rio Grande do Sul, fundada em 1737. Ela já adquiriu o hábito de tomar chimarrão e aproveitou o verão para curtir a Praia do Cassino, que tem 200 quilômetros e é a maior em extensão do mundo.

“O papel dos Conselhos é fundamental. Foi por meio do trabalho deles que houve a liminar que me permitiu prestar
o concurso e tomar posse.”


Maria Amélia Leal da Silva

Legislação garante atividades
e atribuições do profissional
Lei Federal nº 6.684, de 3/9/79 – regulamenta a profissão de biomédico e cria os Conselhos Federal e Regionais de Biomedicina.
Lei Federal nº 6.686, de 11/9/79 – dispõe sobre o exercício da análise clínico-laboratorial.
Decreto Federal n° 88.439, de 28/6/83 - dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de biomédico, de acordo com a Lei Federal nº 6.684, e de conformidade com a alteração estabelecida pela Lei Federal nº 7017, de 30/8/82.
Lei Federal nº 7.135, de 26/10/83 – altera a redação da Lei nº 6.686, de 11/9/79, que dispõe sobre o exercício da análise clínico-laboratorial.
Lei Municipal nº 11.410, de 13/9/93 – cria a carreira de biomédico na Prefeitura Municipal de São Paulo.
Resolução nº 287, de 8/10/98, do Conselho Nacional de Saúde (CNS) – define os profissionais da área de saúde, incluindo os biomédicos.
Resolução nº 78, de 29/4/02, do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) – dispõe sobre o Ato Profissional Biomédico e fixa o campo de atividade do biomédico.
Resolução nº 83, de 29/4/02, do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) – altera artigos da Resolução nº 78, de 29/4/02, que dispõe sobre o Ato Profissional Biomédico.
Vitória é um grande estímulo nesta batalha
onquista da biomédica Maria Amélia Leal da Silva representa uma importante vitória da Biomedicina e se transforma em um grande estímulo para que prossigamos nesta longa batalha pela efetiva criação da carreira do oficial biomédico no âmbito das Forças Armadas.
Por enquanto, ainda somos obrigados a recorrer à Justiça para resguardar e assegurar nosso direito líquido e certo, ignorado pelo Ministério da Defesa. Felizmente, o Poder Judiciário está cumprindo o seu papel.
É patente e inegável que o biomédico é profissional legalmente habilitado para desenvolver suas atribuições na área de saúde. Ele têm competência legal para isso.
Lamentavelmente, há mais de duas décadas o Exército, a Marinha e a Aeronáutica mantêm atitudes corporativistas e de descaso no tocante às reivindicações da Biomedicina, discriminando o profissional biomédico, procedimento esse que é vetado pela Constituição Federal.
Enquanto buscamos nossos direitos na Justiça, prosseguiremos nossa luta e esperamos que o Poder Legislativo aprove o projeto de lei do deputado federal Lobbe Neto, que autoriza o Poder Executivo a criar a carreira de oficial biomédico no âmbito do Ministério da Defesa, uma vez que, de acordo com a

Constituição Federal, cabe ao presidente da República a iniciativa de lei que disponha sobre a criação de cargos na administração pública direta. Designados que fomos pelo CFBM a defender as prerrogativas da Biomedicina perante as Forças Armadas, não desistiremos enquanto isso não ocorrer e contamos com o apoio de toda a coletividade.”



Marco Antonio Abrahão

Presidente do Conselho Regional
de Biomedicina – 1ª Região