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Proteção contra o erro laboratorial
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Biomédica estuda Direito para auxiliar
profissionais e laboratórios na Justiça.
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conceito
de erro laboratorial está vulgarizado e por qualquer motivo
processa-se o profissional ou o laboratório. A saída
é conscientizar todos aqueles que atuam na área
de saúde para que não sejam vítimas de uma
ação judicial. Este é, em resumo, o panorama
vislumbrado pela biomédica Louise Eliana Fabri Oliveira
Gomes, que está prestes a concluir o curso de Direito com
o objetivo de dar suporte jurídico aos profissionais e
laboratórios.
Durante o curso fui questionada diversas vezes por colegas
e professores sobre como conciliar as áreas de Biomedicina
e Direito, uma vez que deixo claro meu amor incondicional pela
primeira, lembra Louise. E sempre fui convicta ao
responder que estamos abandonados, juridicamente falando, e que
quero conhecer a legislação para aplicá-la
em favor do profissional biomédico e dos laboratórios
clínicos, completa.
Louise explica que, ao contrário do médico, que
tem a responsabilidade de meio (ele executa o tratamento, mas
não pode garantir a cura), o laboratório tem a responsabilidade
de fim, isto é, tem de produzir o resultado final do exame.
O profissional biomédico precisa se conscientizar
do grau de responsabilidade que tem, explica Louise.
UM ALERTA A biomédica alerta que os laboratórios
estão muito sujeitos a fraudes e devem precaver-se contra
elas. Pacientes que se fazem passar por outros omitem
informações, solicitam alterações
em seus resultados, entregam como material biológico
outras substâncias ou material biológico de outro
paciente, apresentam documentos falsos ou raudam convênios
até onde o laboratório está preparado
para lidar com tais situações?, questiona.
Como responderá judicialmente por erros o profissional
sobrecarregado, que não conta com equipamentos, instrumentos
e reagentes confiáveis, que às vezes não
são fornecidos pela
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alta direção?, preocupa-se. Louise cita
um exemplo prático. Ela gerencia o laboratório
Louise cita um exemplo prático. Ela gerencia o laboratório
Rocha Lima, em São Caetano do Sul, e adotou o procedimento
de o paciente assinar sua ficha na recepção e
também no momento em que vai fazer o exame. Recentemente,
uma paciente, no momento do exame, não conseguiu fazer
uma assinatura igual à que foi feita na recepção
e acabou indo embora, afirma. Aparentemente, uma situação
de fraude contra o convênio. Com esse procedimento,
você se protege, argumenta.
Há também casos de pacientes que tomam medicamento
por conta própria e não avisam, de cônjuge
que ministra medicação sem o paciente saber e
de resultado de HIV que o médico pede para que não
seja revelado ao paciente, embora seja seu direito legal. São
situações que envolvem a boa fé ou até
a má fé do paciente, observa. 
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| O erro laboratorial
perante o novo Código Civil |
odas
as atividades humanas estão regulamentadas por regras impostas
pelo Estado e pela sociedade. E a atividade da Biomedicina, como
não poderia deixar de ser, deve obediência a uma
série de regras.
Daí a preocupação com o erro laboratorial,
afirma o advogado Gilson Marcos de Lima, procurador do Conselho
Regional de Biomedicina, em seu artigo O erro laboratorial
perante o novo Código Civil, que a Revista do Biomédico
publicou às páginas 21 a 23 da edição
nº 62, com ampla análise sobre o tema. Veja também
no site www.crbm1.com.br  |

Temos de estimular
a cultura
entre os profissionais acerca da existência do risco do
erro e enfatizar que a prevenção deste é
responsabilidade de todos.
Louise Eliana Fabri
Oliveira Gomes
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| Programa de qualidade
é arma importante |
adoção
de programas de qualidade deve ser princípio básico
e prioritário na luta dos laboratórios clínicos
contra o erro laboratorial e suas possíveis conseqüências
judiciais, na opinião de Louise Eliana Fabri Oliveira Gomes,
que fez cursos de implantação de vários deles.
Os programas de qualidade determinam a princípio
cuidados com materiais e pessoal e normatizam procedimentos que
evitam muitos problemas, explica a biomédica. Eles
são ótimas ferramentas para detectar as falhas no
serviço antes que elas evoluam para o erro.
Louise considera também que a contratação
de biomédicos é uma boa forma de os laboratórios
se protegerem contra o erro. Este profissional pode avaliar
de maneira coerente os resultados que são dados facilmente
com a automação crescente, enfatiza. Sem desmerecer
outros profissionais, ela lembra que o biomédico passa
quatro ou cinco anos voltado exclusivamente para o preparo desta
atividade. Para apertar o botão não precisa
ter diploma, mas o profissional sabe avaliar interferentes, comparar
com resultados anteriores e discutir com o médico para
verificar se o resultado é compatível com o caso.
LEGISLAÇÃO Na opinião de
Louise, porém, a formação do biomédico
ainda se ressente da falta de uma disciplina sobre legislação.
Os laboratórios estão vinculados à
lei e a disciplina
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de Ética não
é suficiente. O profissional tem de conhecer a legislação,
afirma. O trabalho no laboratório está sujeito,
além do Código Civil (responsabilidade civil), a
leis como o Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto
do Idoso, por exemplo. Há, também as resoluções
da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), da Agência Nacional de Saúde Complementar
(ANS) etc. De acordo com as leis, o laboratório pode ter
de pagar indenização ao paciente (se for provada
imperícia, imprudência ou negligência) por
dano moral ou até dano material. Em casos extremos, o responsável
pode ter de responder criminalmente.
A questão é que o paciente conhece as leis,
e o estagiário, não, constata. Por isso,
o número de ações é crescente e na
medida em que as pessoas conhecem mais as leis, mais elas vão
procurar a Justiça, adverte. Existe até a
Associação das Vítimas de Erros Médicos
(Averme), que avalia que o índice de erros laboratoriais
chega a 3%. Mas quantos desses erros foram erros mesmo ou
apenas variações biológicas?, questiona.
Louise acredita que a conscientização do profissional
é fundamental para que ele e o laboratório não
sejam vítimas da indústria das indenizações.
Temos de estimular a cultura entre os profissionais acerca
da existência do risco do erro e enfatizar que a prevenção
deste é responsabilidade de todos.  |
| A descoberta de um outro
universo |
ouise
Eliana Fabri Oliveira Gomes formou-se em Biomedicina em 1992,
na Universidade de Mogi das Cruzes, e atuou durante um ano no
hospital público Luzia de Pinto Melo, na mesma cidade.
Em seguida, passou a trabalhar no laboratório Rocha Lima,
em São Caetano do Sul. Após quatro anos na bancada,
e como na época se falava muito em ISO, decidiu fazer cursos
de implantação de programas de qualidade e participou
de cursos elaborados pelo Inmetro (BPLC), além de programas
de acreditação (Palc). Fui descobrindo um
outro universo que existia para o profissional biomédico,
afirma Louise, que a partir daí abandonou a bancada e começou
a se dedicar à administração. Em 2000, o
Rocha Lima foi qualificado pela primeira vez pelo Palc.
Em 1999, Louise iniciou a pós-graduação em
Administração de
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Serviços de Saúde,
na Faculdade de Medicina de Santo André, onde teve os primeiros
contatos com a legislação concernente à Biomedicina.
Nessa época percebi que a suscetibilidade dos serviços
de saúde era muito grande, explica. Tanto,
que meu trabalho final no curso foi sobre erros laboratoriais.
Apesar dos protestos dos filhos, uma semana depois de terminar
a pós-graduação a biomédica prestou
vestibular para Direito, na UniABC, curso que vai concluir em
junho. Há um ano, faz parte da Comissão de Acreditação
de Laboratórios Clínicos (Calc), da Sociedade Brasileira
de Patologia Clínica (SBPC), onde procura disseminar ainda
mais a conscientização dos riscos que a desinformação
jurídica provoca. |
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O profissional
biomédico precisa se conscientizar do grau de responsabilidade
que tem.
Louise Eliana
Fabri Oliveira Gomes
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