já sei! Pelo título
acima, você logo pensou em sua conta bancária. Só
que não é esta a poupança à qual me
refiro, continue lendo e, com certeza, você entenderá.
Também, a culpa não é sua de logo ter pensado
em seu saldo bancário, pois vivemos uma época em
que o dinheiro infelizmente representa tudo: dá status,
compra bens materiais, dá tranqüilidade, não
o deixa inadimplente para com os seus compromissos sociais, e
é capaz de comprar outras coisas, até inimagináveis,
enfim, é a mola propulsora deste mundo em que vivemos.
Os pobres se consolam ao dizer que dinheiro não traz felicidade,
os ricos se julgam felizes... e pronto!
Mas repito a pergunta: Como vai a sua poupança?
Para lembrá-lo, o Dicionário da Língua Portuguesa
diz: Poupança é igual economia, parcimônia.
Poupador é o que poupa, o titular de uma caderneta de poupança.
Poupar é despender com parcimônia, economizar; mas
também é não sacrificar, não fazer
mal, tratar com indulgência, não castigar, não
causar cansaço à alguém.
Viram que poupança então, é aquilo que você
guarda, constrói, sedimenta, vai juntando para um dia ter
um saldo bom, só que este saldo não significa só
dinheiro.
Você poupa com os homens, sedimentando suas amizades sinceras;
você poupa com Deus, juntando suas boas ações;
você poupa dignidade, boas palavras, bons conselhos, moral
e ética.
De nada vale você ter uma gorda conta bancária, mas
uma anêmica, esquelética e exaurida poupança
com os seus semelhantes, aqueles que habitam o seu dia-a-dia,
ou junto a sua família, os amigos e a sociedade e a própria
humanidade.
Como vai a sua poupança sob este aspecto, amigo? Você
é altruísta, educado, bom caráter, honesto,
ético, amigo da verdade? Vê quanta coisa pode se
poupar?
É bom poder sorrir e transmitir a paz onde quer que se
esteja... É uma bela poupança. Desgarrar-se da ganância
é não precisar de muletas para firmar-se como pessoa. |
Procure ter um bom saldo que não seja material (guarde
bem), poupe-o bem. Tente levantar todos que estiverem caídos
ao seu redor, pois você nunca sabe se um dia poderá
tropeçar também.
Para o filósofo alemão Kant, o indivíduo
agirá corretamente quando seu ato puder ser considerado
regido por uma lei que sirva ao Universo. Para ele, o conteúdo
moral depende do motivo ou da intenção do indivíduo,
da causa que gerou a ação, e não efetivamente
do resultado. Portanto, tenha sempre a boa intenção,
seja qual for o resultado.
Diz, em seu livro, Iniciação à Ética,
o dr. Gustavo Korte: A manifestação das
combinações de virtudes e vícios leva-nos
à avaliação do caráter que define
e traz o respeito que nos merecem as pessoas. O uso das virtudes
interligadas a deverá levar cada um de nós a uma
vivência mais satisfatória, tanto na vida física
como no mundo das idéias, ensinando-nos e conduzindo-nos
às melhores soluções. É o grande
resultado que a Ética moderna sugere.
E aí, vai bem a sua poupança?
Já viu que educar também é um grande acúmulo
de virtudes? No dizer do grande educador Pedro de Camargo: A
melhor, a mais eficiente e econômica de todas as modalidades
de assistência é a Educação, por
ser a única de natureza preventiva. Não remedeia
os males sociais; evita-os.
A liberdade é um tesouro oculto, pela Educação
o homem a descobre nas profundezas da alma e se torna livre.
Tudo o que germina, germina de uma semente. Tudo o que envolve,
envolve de um germe ou embrião. Não podemos esperar
que aflorem na alma da mocidade qualidades nobres e elevadas
sem que, previamente, tenhamos ali feito a sua sementeira.
Nada, porém, pode ser exigido daqueles a quem nada se
dá.
Eduque, e estará fazendo um bom saldo, e quando eu perguntar
novamente como vai a sua poupança, com certeza, você,
conscientemente, honestamente e eticamente responderá:
Vai muito bem, obrigado!.
Até a próxima... 

Wilson de Almeida Siqueira
é vice-presidente do CRBM em São Paulo e presidente
da Comissão de Ética e Docência.
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