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Como vai a
sua poupança?

Wilson de Almeida Siqueira

já sei! Pelo título acima, você logo pensou em sua conta bancária. Só que não é esta a poupança à qual me refiro, continue lendo e, com certeza, você entenderá.
Também, a culpa não é sua de logo ter pensado em seu saldo bancário, pois vivemos uma época em que o dinheiro infelizmente representa tudo: dá status, compra bens materiais, dá tranqüilidade, não o deixa inadimplente para com os seus compromissos sociais, e é capaz de comprar outras coisas, até inimagináveis, enfim, é a mola propulsora deste mundo em que vivemos.
Os pobres se consolam ao dizer que dinheiro não traz felicidade, os ricos se julgam felizes... e pronto!
Mas repito a pergunta: Como vai a sua poupança?
Para lembrá-lo, o Dicionário da Língua Portuguesa diz: “Poupança é igual economia, parcimônia. Poupador é o que poupa, o titular de uma caderneta de poupança. Poupar é despender com parcimônia, economizar; mas também é não sacrificar, não fazer mal, tratar com indulgência, não castigar, não causar cansaço à alguém“.
Viram que poupança então, é aquilo que você guarda, constrói, sedimenta, vai juntando para um dia ter um saldo bom, só que este saldo não significa só dinheiro.
Você poupa com os homens, sedimentando suas amizades sinceras; você poupa com Deus, juntando suas boas ações; você poupa dignidade, boas palavras, bons conselhos, moral e ética.
De nada vale você ter uma gorda conta bancária, mas uma anêmica, esquelética e exaurida poupança com os seus semelhantes, aqueles que habitam o seu dia-a-dia, ou junto a sua família, os amigos e a sociedade e a própria humanidade.
Como vai a sua poupança sob este aspecto, amigo? Você é altruísta, educado, bom caráter, honesto, ético, amigo da verdade? Vê quanta coisa pode se poupar?
É bom poder sorrir e transmitir a paz onde quer que se esteja... É uma bela poupança. Desgarrar-se da ganância é não precisar de muletas para firmar-se como pessoa.

Procure ter um bom saldo que não seja material (guarde bem), poupe-o bem. Tente levantar todos que estiverem caídos ao seu redor, pois você nunca sabe se um dia poderá tropeçar também.
Para o filósofo alemão Kant, o indivíduo agirá corretamente quando seu ato puder ser considerado regido por uma lei que sirva ao Universo. Para ele, o conteúdo moral depende do motivo ou da intenção do indivíduo, da causa que gerou a ação, e não efetivamente do resultado. Portanto, tenha sempre a boa intenção, seja qual for o resultado.
Diz, em seu livro, Iniciação à Ética, o dr. Gustavo Korte: “A manifestação das combinações de virtudes e vícios leva-nos à avaliação do caráter que define e traz o respeito que nos merecem as pessoas. O uso das virtudes interligadas a deverá levar cada um de nós a uma vivência mais satisfatória, tanto na vida física como no mundo das idéias, ensinando-nos e conduzindo-nos às melhores soluções. É o grande resultado que a Ética moderna sugere“.
E aí, vai bem a sua poupança?
Já viu que educar também é um grande acúmulo de virtudes? No dizer do grande educador Pedro de Camargo: “A melhor, a mais eficiente e econômica de todas as modalidades de assistência é a Educação, por ser a única de natureza preventiva. Não remedeia os males sociais; evita-os.
A liberdade é um tesouro oculto, pela Educação o homem a descobre nas profundezas da alma e se torna livre”.
Tudo o que germina, germina de uma semente. Tudo o que envolve, envolve de um germe ou embrião. Não podemos esperar que aflorem na alma da mocidade qualidades nobres e elevadas sem que, previamente, tenhamos ali feito a sua sementeira.
Nada, porém, pode ser exigido daqueles a quem nada se dá.
Eduque, e estará fazendo um bom saldo, e quando eu perguntar novamente como vai a sua poupança, com certeza, você, conscientemente, honestamente e eticamente responderá: “Vai muito bem, obrigado!”.
Até a próxima...


Wilson de Almeida Siqueira
é vice-presidente do CRBM em São Paulo e presidente da Comissão de Ética e Docência.