Ministério
da Educação e Cultura está anunciando o fim
do Exame Nacional
de Cursos (Provão). Esse teste de avaliação,
que resistiu por oito anos e que estabelecia ranking das instituições
a partir dos conceitos de A a E obtidos pelos alunos, deverá
ser substituído pelo Sistema Nacional de Avaliação
da Educação Superior (Sinaes).
Pela nova proposta, sugerida por Comissão Especial do MEC,
sujeita a debates em consultas públicas antes de ser transformada
em lei, o teste deixa de ser obrigatório para todos os
formandos, será apenas um dos três itens da avaliação
do ensino superior. Seu foco é a instituição,
não o aluno. Os estudantes continuarão sendo testados,
mas nem todos serão examinados. O teste será por
amostragem e a classificação por conceitos, abandonada.
Quanto à avaliação institucional, levará
três anos para ser concluída. Terá inicio
com uma auto-avaliação, feita por comissão
interna formada por universitários, professores e funcionários.
A instituição também passará por uma
análise externa da Comissão Nacional de Avaliação
da Educação Superior (Conaes), a ser criada pelo
MEC. Esta comissão também irá elaborar parecer
sobre a instituição. Haverá dossiês
com resultados da avaliação para cada universidade
e, anualmente, a Conaes irá divulgar um dossiê
parcial, pois o levantamento completo sairá em três
anos.
Ainda de acordo com o novo projeto, o Provão será
substituído pelo Processo de Avaliação Integrada
do Desenvolvimento Educacional e da Inovação da
Área (Paideia), a ser aplicado no segundo e último
anos do curso. Ele será feito por amostragem, através
de sorteio de alunos. A cada dois anos, duas das seguintes áreas
vão ser analisadas: ciências humanas, exatas, tecnológicas
e biológicas.
O resultado do Paideia irá compor o dossiê final.
Assim, resumindo, o Sinaes prevê três etapas: a primeira,
uma auto-avaliação de cada curso; depois,
uma avaliação externa; e, por último, uma
prova a alguns alunos escolhidos aleatoriamente, do segundo e
do último anos.
O atual sistema de avaliação do ensino superior,
o Provão, é regulamentado pela Lei nº 9.131,
de outubro de 1995.
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O novo projeto, se aprovado, será transformado em lei,
substituindo a anterior. Pelo regime em vigor, a avaliação
dá prioridade à aplicação do conteúdo
curricular mínimo estabelecido para cada curso e também
prevê a análise da organização didático-pedagógica,
a titulação dos docentes e a
infra-estrutura dos cursos, realizada a partir de visitas de
técnicos do MEC. O Provão avalia a escola, o curso,
o desempenho de professores e alunos, sempre coletivamente,
podendo contemplar de forma inadequada a real condição
das instituições de ensino.
O sistema foi implantado porque o MEC perdeu o controle do ensino
superior com a criação dos Centros Universitários
que, na sua grande maioria, não dependem de autorização
para instituir cursos e os escolhem de acordo com seus interesses
econômicos. Mas é sempre complicada a avaliação
através de outras pessoas, via testes, pois
o MEC pune ou premia determinada faculdade com base no Provão.
O ideal é a avaliação direta, através
da fiscalização.
Particularmente, não aprovamos o Provão, sempre
fomos contrários a esse sistema. Esperávamos por
mudanças. Agora, ficamos na expectativa com relação
à aplicação desse processo de averiguação
de cursos e instituições que está sendo
anunciado. A União Nacional dos Estudantes apóia
o novo sistema.
As entidades representativas das estabelecimentos particulares
de ensino, também principalmente pela avaliação
ser focada na instituição. De nossa parte, aguardamos
que seja uma aferição de resultados pautada na
qualidade, que não venha a provocar situações
duvidosas. O Conselho Nacional de Educação tem
de ter instrumentos de avaliação que espelhem
a realidade do ensino superior, sem deixar dúvidas com
relação à qualidade da escola e dos cursos
e quanto ao desempenho dos professores e ao aproveitamento dos
alunos. 

Marco Antonio Abrahão
é presidente do CRBM 1ª Região
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