voltar

foram obtidos utilizando uma balança da marca Marte 500. (0.001 g de precisão).

b) Alometria:
Os pesos dos cérebros foram correlacionado com o peso corporal utilizando o método alométrico multiplicativo: Y = a Xb (função potência de Huxley, 1932)(2). Este modelo matemático mostrou maior coeficiente de determinação (r2) do que os modelos recíproco, linear ou exponencial.

c) Análise estatística:
R2 e a estatística F - foram utilizados para determinar o índice de significância de cada regressão. O teste t (a = 0.05) e a análise residual foram verificados(13). Cada coeficiente de regressão foi comparado à sua condição de isometria. Um coeficiente 1.0 indica isometria quando as variáveis (X e Y) têm a mesma dimensão. Entretanto, coeficientes maiores ou menores do que 1.0 indicam alometria positiva e negativa respectivamente(14, 15).
Para resolver problemas de estimação dos coeficientes, quando ambas as medidas estão sujeitas a erros de medida, usamos a correção pelo eixo maior reduzido E.M.R.(16, 17).

Resultados e discussão
Os resultados do estudo comparativo entre o crescimento dos cérebros de aves e mamíferos estão indicados (Tabela I). Os dados estatísticos (R2 e F) revelaram que a regressão foi significativa e o modelo multiplicativo apropriado.
A análise bivariada apontou alometria negativa em todas as espécies analisadas. Entretanto, durante o período pós-natal observado, os cérebros de mamíferos apresentam maior velocidade de crescimento do que o das aves. Os coeficientes alométricos analisados pelo teste t apresentaram estatística significante (p<0.001).
Os resultados podem ser comparados com os de outros autores (Tabela II). Nosso estudo verificou que o cérebro no período pós-natal foi alométrico negativo nas três espécies observadas. Resultados semelhantes foram descritos no rato(18) e em coelhos(19). Entretanto, no homem(20), e em gerbil(21), o crescimento do cérebro apresentou alometria positiva. A equação alométrica Y = a Xb pode ser utilizada para obter curvas que servirão para classificar as espécies(22).

Mais significantemente podem servir em comparações filogenéticas(14, 23). Em seus estudos, Jerison (1973)(24) concluiu que o tamanho do cérebro dos pterosauros e também dos archeopteryx são muito mais semelhantes aos répteis atuais do que das aves e mamíferos.


Margareth Costa-Neves
Bióloga, professora da UNISUAM, CEUCEL e da UniverCidade. Especialista em Anatomia Humana e mestranda em Patologia Experimental da UFF margarethneves@ig.com.br

Ronald de Mesquita Soares Rega
Biomédico (CRBM 2638), professor da UNISUAM e IBMR e mestre em Morfologia e Biologia Celular pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP.rmsrega@ig.com.br

Endereço para correspondência:
Ronald de Mesquita Soares Rega Estados dos Três Rios, 1.416,
bloco 04, apto. 103, Jacarepaguá, CEP 22745-003 - Rio de Janeiro


ReferÊncias BIBLIOGRÁFICAS:

(1) Barbosa O.R. “Estudo morfológico e quantitativo do coração de Liolaemus lutzae Mertens”, 1938 (Sauria:Iguanidae). Tese de Mestrado, UFRJ, Rio de Janeiro, 1989.
(2) Cabana T., Jolicoeur P., Baron G. “Brain and body growth and allometry in the mongolian gerbil (Meriones unguilatus)”. Growth, Dev & Aging, 54:23-30, 1990.
(3) Costa-Neves M., Wanderley S.S., Rega R.M.S. “The development of human fetal pons. A quantitative study”. Rev Bras Neurol, 29:23-24, 1993.
(4) Dawood N., Jolicoeur P., Sharief S.D. “Postnatal brain growth and allometry in the rabbit Oryctolagus cuniculus”. Growth, Dev & Aging, 52:169-175, 1988.
(5) Gould S.J. “Allometry and size in ontogeny and phylogeny”. Biol Ver, 41:587-640, 1966.
(6) Gould S.J. “Ontogeny and and phylogeny”. Cambridge University Press, Cambridge, 1977.
(7) Huxley J.S. “Constant differentiation growth rations and their significance”. Nature, 114:895-896, 1924.
(8) Huxley J.S. “Problems of relative growth”. Methuen, London, 1932.

 

(9) Jerison H.L. “Evolution of the brain and intelligence”. New York, academic Press, 1973.
(10) Jolicoeur P., Pirlot P. “Asymptotic growth and complex allometry of the brain and body in the white rat. Growth Dev & Aging, 52:03-10, 1988.
(11) Jolicoeur P. “Bivariate allometry: interval estimation of the slope of ordinary and standardized normal major axes and structural relationship”. J Theor Biol, 144:275-285, 1990.
(12) Katz M.J. “Allometry formula. A cellular model”. Growth, 44:89-96, 1980.
(13) Mandarim-de-Lacerda C.A. “Manual de quantificação morfológica: morfometria, alometria, estereologia”. CEBIO, Rio de Janeiro, 1991.
(14) Mattfeldt T., Mall G. “Statistical methods for growth allometric studies”. Growth, 51:86-102, 1987.
(15) Pirlot P., Kamiya T. “Comparison of ontogenetic brain growth in marine and coastal dolphins”. Growth, 39:507-524, 1975.
(16) Rega R.M.S., Costa-Neves M., Wanderley S.S. “Croissance du cervelet humain: une estimation quantitative. Arch Anat Hist Emb norm et exp, 74:57-60, 1991/92.
(17) Robinson P.F., Wilber C.G. “Organ: body-weight relationships in hamster”. Anat Rec, 141:31-33, 1961.
(18) Sokal R.R., Rohlf F.J. “Biometry. The principles and practice of statistics in biological research”. Freeman, New York, 1981.
(19) Stahl W.R. “Organ weights in primates and other mammals”. Science, 150:1039-1042, 1965.
(20) Szuba Z., Babula Z., Kalisinska E. “Cardiac weight in cattle (Bos taurus L.) during fetal development”. Pol Arch Weter, 26:163-168, 1986.
(21) Thompson A.W. “On growth and form”. MacMillan, New York, 1948.
(22) Wanderley S.S., Rega R.M.S., Costa-Neves M. “Estudo quantitativo do crescimento encefálico no período fetal humano: terceiro trimestre gestacional”. Rev Bras Ciênc Morf, 7/8:38-40, 1990/91.
(23) Wingert F. “Biometrische analyse de wachstumsfunktionen von hirnteilen und korpergewicht der albinomaus”. J Hirnforschung, 11:133-197, 1969.
(24) Wittink D.R. “The application of regression analysis”. Allyn & Bacon, Boston, 1988.