 
este é doença contagiosa grave, epidemia, pestilência.
Portanto, afigura-se muito estranho que algo dessa natureza possa
ter vínculo com benefícios. Em sentido estrito,
essa relação só causa, sem dúvida,
configuração de algo contraditório e não
é lícito fugir dessa concepção. A
despeito disso, pareceu-nos interessante e ilustrativo mostrar
que de infortúnios é viável o advento de
proveitos.
A síndrome da imunodeficiência adquirida (aids) constitui
conseqüência da infecção devida ao vírus
da imunodeficiência humana (HIV). Em ritmo crescente, ela
causa expressivos transtornos médico-assistenciais, econômicos,
afetivos, legais, trabalhistas e comportamentais, entre outros.
No entanto, paradoxalmente, teve participação em
alguns melhoramentos que se mostram agora muito úteis.
Como exemplo é válido citar os seguintes: inclusive
no Brasil, a implantação da Lei do Sangue, ou Lei
Henfil, responsável por benfeitorias no âmbito da
Hemoterapia, sobretudo quanto à aprimorada seleção
de doadores; a valorização da vigilância epidemiológica
no que tange à notificação compulsória
de doenças, antes muito mal cumprida ou ensinada por aqui;
concessão de base para desenvolvimento de novas técnicas
laboratoriais utilizadas em diagnósticos, presentemente
aplicáveis a diversas enfermidades; demonstração
de que é executável doação gratuita
de remédios pelo governo, até quando são
caros e de alta complexidade. Essa relação serve,
cremos, como ilustração e com certeza, aceita ampliação.
Considerações congêneres são cabíveis
ao rememorarmos o que aconteceu com a síndrome respiratória
aguda grave (sars), moléstia surgida recentemente e |
com facilidade, pela via respiratória. Hoje, encontra-se
em fase de quiescência, para a qual almejamos enorme
durabilidade. Esse mal, como a aids, foi estímulo para
progressões, pelo menos em parte, especificadas pelas
seguintes citações: houve enorme valorização
da tática de isolamento para coibir contágios,
tendo essa atitude sido adotada freqüentemente com radicalidade
e impulsionado a constituição de áreas
modernas e eficientes, em contraste com a generalizada improvisação
prevalente no Brasil; exaltação do valor dos
Laboratórios de Saúde Pública capazes,
porquanto em curtíssimo período de tempo, identificaram
o novo vírus que originou a doença e apontaram
marcantes conhecimentos paralelos, resultando de tudo isto
a convicção de que no contexto brasileiro há
necessidade de mais órgãos de tal tipo, desde
que suficientemente equipados, ocorrendo a colaboração
de profissionais competentes e remunerados dignamente; constatação
do judicioso labor de autoridades governamentais da área
da saúde pública, em diferentes países,
sempre revelando aptidão geradora de resultados elogiáveis;
percepção da maturidade de membros da mídia,
prestadores de informes corretos e orientadores com agilidade;
inovações referentes à mensuração
da temperatura corporal, sobrevindo disso, equipamentos aplicáveis
com simplicidade e apontadores das cifras através da
ligeireza e segurança.
O título desta crônica, compreensivelmente esdrúxulo
e preocupante conforme algumas interpretações,
fica aceitável se valorizados os fatos apresentados,
demonstrativos de valorosas conseqüências de indesejáveis
malefícios.
Os autores são
médicos
e professores universitários
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