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Um retrato da saúde no País

Levantamento está sendo realizado paralelamente em 60 países
e resultado será conhecido no segundo semestre.

om financiamento da Organização Mundial de Saúde (OMS), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está realizando um grande estudo sobre a saúde do brasileiro. Cerca de cinco mil pessoas de 191 municípios do País estão sendo ouvidas. O objetivo é investigar a qualidade dos serviços públicos e particulares de saúde e as condições médicas da população, incluindo hábitos considerados fatores de risco para doenças, como tipo de nutrição, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.
O estudo faz parte de um grande consórcio internacional promovido pela OMS para investigar as condições de saúde no mundo. O levantamento está sendo feito em cerca de 60 países. Os resultados finais serão conhecidos no segundo semestre e serão colocados à disposição do Ministério da Saúde. A pesquisa vai mostrar uma diferente avaliação da saúde do País, já que hoje os levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são feitas com base nas informações oficiais e não partindo da percepção da população.
Os questionários têm três classes de perguntas: a primeira investiga as doenças mais comuns, questionando sobre diabetes, tuberculose, artrites etc.; a segunda aborda hábitos alimentares e de ingestão de bebidas; e a terceira procura descobrir como é o atendimento médico e hospitalar público e privado.
Brasil terá Centro de Controle de Doenças
O secretário de Vigilância em Saúde, o epidemiologista Jarbas Barbosa, pretende construir em Brasília uma versão brasileira do Centro de Controle de Doenças (CCD) instalado em Atlanta, nos Estados Unidos. Para ele, um laboratório de alta complexidade é uma arma indispensável para o Brasil identificar agentes infecciosos que possam se tornar uma ameaça à saúde pública. “Dependemos do CCD para identificar alguns desses agentes. Perdemos um tempo precioso.”
Barbosa, ex-diretor do Centro Nacional de Epidemiologia da Fundação Nacional de Saúde, diz que as doenças contagiosas nunca vão desaparecer e contesta quem afirma que o reaparecimento de infecções antes controladas é sinal de retrocesso. “Elas ressurgem porque o mundo mudou, temos de nos preparar, ser rápidos e eficazes para combater antigos problemas como a cólera e novos, como a febre do Nilo.”
Jarbas Barbosa informa que há verbas para a construção do laboratório. “Há previsão de um financiamento do Banco Mundial, o VigiSus2, no total de US$ 200 milhões. Acredito que com US$ 10 milhões possamos construir o centro com o mais alto grau de biossegurança, onde seja possível analisar vírus e bactérias altamente agressivos. Se tudo correr bem, o centro poderá entrar em funcionamento até 2005.”

Pesquisa reprova Anvisa e ANS
Uma pesquisa elaborada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e divulgada em março revela que

o desempenho das Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e demais órgãos reguladores está muito aquém das necessidades do consumidor. De acordo com o trabalho, falta transparência nos processos decisórios, canais para participação dos consumidores, acesso a informações por parte da sociedade e efetividade dos órgãos na execução de suas atividades. “Em todas as instituições, o desempenho foi insatisfatório”, analisa Marilena Lazzarine, coordenadora do Idec. “A melhor nota (de 1 a 10) foi regular”.
A Anvisa teve nota 5,6 na avaliação final e a ANS não passou de 2,7, só não sendo pior do que o desempenho do Banco Central (2,6). A média geral do conjunto de agências foi 4,2, considerada ruim. As notas foram baseadas na avaliação de cinco itens, desdobrados em 40 critérios.

Ginástica passiva: resultados fracos
Pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revela que a ginástica passiva tem resultados bem mais modestos do que os prometidos pelos canais de televenda, embora não façam mal à saúde.
Na propaganda, a modelo Joana Prado exibe um massageador elétrico e garante que, com pouco esforço, todos podem dizer adeus às gordurinhas localizadas. No entanto, de acordo com a pesquisa, se uma pessoa usar o aparelho durante um dia inteiro, o máximo que conseguirá perder será 30 quilocalorias.
O estudo do Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte (Cemafe), uma unidade da Unifesp, foi feito com

dez homens e dez mulheres entre 18 e 40 anos, que se submeteram a testes com os massageadores elétricos e depois participaram de sessões de abdominais. Como os massageadores dão pequenos choques, o máximo que conseguem fazer é estimular a musculatura. E não têm o poder de eliminar a celulite. “um gordinho que usar o aparelho vai ficar com os músculos tonificados, mas continuará gordinho”, diz o coordenador do Cemafe, biomédico Turíbio Leite de Barros Neto. Segundo ele, o estudo não condena o uso desses aparelhos. “Ele pode ser indicado para pessoas sedentárias, que nunca se exercitam. Serve como uma preparação da musculatura”, explica. Em sessões de fisioterapia, aparelhos similares são usados com o objetivo de reeducar a contração voluntária dos músculos e começar a exercitá-los. São recomendados para pacientes de pós-operatório ou que ficam muito tempo na cama.

Planos, os líderes de reclamações
Os planos de saúde continuam os campeões no ranking anual do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Eles foram responsáveis por 28% do total de queixas do setor de serviços, que, por sua vez, respondeu por 76% dos 60.732 consumidores que procuraram a entidade em 2002.
Segundo o advogado do Idec, Marcos Diegues, a liderança dos planos de saúde vem se repetindo há mais de dez anos. “A saúde é um gênero de primeira necessidade, por isso tem um universo de consumidores muito grande”, justifica.