voltar

A fórmula da vida completa meio século

Em 28 de fevereiro de 1953 os cientistas Francis Crick e James Watson desvendaram
a estrutura do DNA.
á 50 anos, dois cientistas anunciaram uma das maiores descobertas científicas de todos os tempos: a estrutura da molécula mais importante da vida, o DNA. Francis Harry Compton Crick e James Dewey Watson revelaram em um artigo de 900 palavras publicado na revista Nature que, no dia 28 de fevereiro de 1953, chegaram à estrutura da chamada molécula da vida, trabalhando a maior parte do tempo em segredo e sem realizar nenhum experimento em laboratório. O resultado foi fruto do gênio e da persistência de ambos. O texto, datilografado pela irmã de Watson, Elizabeth, foi acompanhado de um esboço simples da famosa “dupla hélice” e abriu a era da biologia molecular.
A história desse feito começou dois anos antes quando o inglês Crick e o americano Watson se conheceram na Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Na aparência, ambos eram muito diferentes. Crick, o mais velho, nascido em Northampton, em 1916, era elegante e bem articulado. Já Watson, que nasceu em 1928, em Chicago, era desajeitado. Suas mentes brilhantes, no entanto, se entenderam rapidamente. “Os dois tinham a sublime arrogância dos homens que raramente encontram seus pares intelectuais”, descreveu o colega Max Perutz, de acordo com o livro Decifrando o genoma — a corrida para desvendar o DNA humano, de Kevin Davis (Companhia das Letras). A descoberta lhes rendeu o Nobel de 1962, juntamente com Maurice Wilkins, que trabalhou com Rosalind Franklin na técnica pela qual as moléculas são cristalizadas e radiografadas, o que permite ver sua estrutura.
A descoberta de Crick e Watson começou com o monge austríaco Gregor Mendel (1822-1884), cujas pesquisas ficaram esquecidas por 35 anos, até serem redescobertas em 1900. Em 1869, o bioquímico suíço Friedrich Mieschner
revelou várias substâncias no núcleo celular, que classificou como proteínas e moléculas ácidas. Daí surgiu a expressão ácidos nucléicos, que levou à sigla DNA (ácido desoxirribonucléico). Outro avanço ocorreu em 1944, quando o bacteriologista inglês Oswald Averry demonstrou que é mesmo o DNA o responsável pela transmissão dos caracteres hereditários. Em 1950, o bioquímico austríaco Erwin Chargaff descreveu a composição química dos ácidos nucléicos e determinou as proporções das bases do DNA.
Como Crick e Watson eram pagos para realizar outros estudos, chegaram a ser proibidos por seus chefes de pesquisar o DNA, o trabalho continuou sendo feito por Wilkins e Rosalind. Posteriormente, ao voltar a ter permissão para pesquisar o DNA, Watson foi verificar como estava o trabalho de Wilkins e Rosalind e na sala do primeiro viu um raio X que mostrava a fórmula de ‘dupla hélice’ da molécula. Foi para casa e passou a construir moldes da molécula em cartolina e arame até encontrar o modelo definitivo.

Chave do sucesso — A fórmula da molécula assemelha-se a uma escada retorcida na qual os corrimãos são formados de fosfato e açúcar e os degraus, por uma seqüência de pares de quatro bases nitrogenadas: adenina (A), timina (T), citosina (C) e guanina (G). A chave do sucesso foi determinar que as bases A só podem se unir com T. E que as bases C só podem se ligar com G. “Não escapou à nossa atenção que o pareamento específico que postulamos sugere imediatamente um possível mecanismo de cópia para o material genético”, concluíram Watson e Crick no final do artigo à Nature.
Assim, o mecanismo de duplicação genética — e, portanto, da hereditariedade —, tornou-se óbvio: o DNA se abre em duas fitas, de modo que suas bases expostas servem de molde

"Em uma década teremos a cura do câncer. A maioria das pessoas diria que
isso é otimista demais. Se eu tivesse uma grande empresa farmacêutica, eu daria
dois anos, com um bom fluxo de dinheiro."

James Watson – um dos cientistas que descobriram a estrutura da molécula do DNA