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OMS condena consumo de álcool no Brasil

É o item líder na redução da expectativa de vida saudável no País, segundo o
Relatório Mundial 2002.

população mundial está vivendo perigosamente. A afirmação é de um especialista da Organização Mundial de Saúde (OMS), com base nos dados do Relatório Mundial de Saúde 2002, divulgado em novembro. De acordo com a entidade, 20 fatores de risco são responsáveis por 47% das mortes e doenças no mundo. Os principais são dez: desnutrição, sexo sem proteção, pressão alta, consumo de fumo e álcool, falta de saneamento básico, colesterol alto, deficiência de ferro, poluição do ar e excesso de peso.
No Brasil, a situação muda. O consumo de bebidas alcoólicas é o item líder na redução da expectativa de vida saudável. Excesso de peso, pressão alta e fumo também estão na lista dos dez principais fatores que ameaçam a qualidade de vida das pessoas no País. Vêm a seguir: colesterol alto, sexo sem
proteção, exposição a chumbo, baixo consumo de frutas, verduras e legumes, saneamento básico deficiente e sedentarismo. Já nos Estados Unidos, o fumo assume a liderança, seguido das bebidas alcoólicas, situando-se o excesso de peso no terceiro lugar. Pressão alta e colesterol alto vêm a seguir. Na seqüência: baixo consumo de frutas, verduras e legumes, sedentarismo, drogas ilícitas, sexo sem proteção e deficiência de ferro.

Situação brasileira – Além dos itens relacionados ao estilo de vida, a saúde no Brasil é ameaçada por fatores de origem social, econômica e política, ressaltam os especialistas brasileiros, acrescentando que nas grandes cidades do País também o desemprego, o trânsito e a violência são fatores que interferem na saúde das pessoas.
Para a OMS, o consumo de álcool é o

líder no ranking dos principais fatores de risco brasileiros. Na origem do consumo de álcool pode estar o desemprego. E, como conseqüência do uso da bebida, os destaques são os acidentes de trânsito e os atos de violência. De acordo com outro levantamento, do Serviço de Emergências do Hospítal das Clínicas de São Paulo, cerca de 29 mil mortes no trânsito a cada ano no Brasil estão relacionadas com o álcool.
Conforme o Relatório Mundial de Saúde da OMS, a expectativa de vida no Brasil é de 68,7 anos. Mas entre 15% e 20% dos anos de vida de um brasileiro são desperdiçados em função das precárias condições da sua saúde. Para a OMS, a maior parte da América Latina — incluindo o Brasil — pode aumentar a expectativa de vida saudável em cerca de sete anos se adotar medidas preventivas dos fatores de risco.
ONU ajudará País a combater a fome
Organização das Nações Unidas (ONU) pretende estabelecer uma estratégia para apoiar o Brasil no combate à fome. Tanto assim é que o relator da ONU para a Fome, o suíço Jean Ziegler, está agendando encontro com o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. “Pretendemos dar todo o apoio no sentido de que a ONU e o Brasil possam estabelecer uma estratégia comum para combater a fome”, afirma o relator, destacando que a decisão do presidente eleito de priorizar a fome é uma das indicações de que o novo governo está disposto a lidar com as violações aos direitos humanos, uma das prioridades das Nações Humanas para os próximos anos. “Lula está em sintonia com as propostas do secretário-geral da ONU, Kofi Annan”, justifica.
Ziegler também recorda que essa prioridade é igualmente defendida pelo novo alto comissário de Direitos Humanos da ONU, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello. “Se conseguirmos unir as forças de Mello e Lula, poderemos promover uma real mudança no que se refere às condições de vida das populações menos favorecidas”.

Desnutrição assustadora – O relator

da ONU para a Fome tem pronto um levantamento com mais de 40 páginas sobre a situação da fome no Brasil, que pretende apresentar à comunidade internacional em março de 2003. Ele é resultado de seis meses de pesquisa. De acordo com esse estudo, um em cada três brasileiros é desnutrido. O índice é dos mais altos do planeta e a causa não é a falta de alimentos, mas a desigualdade social. Para a ONU, o índice é excessivo, em especial em um país com recursos abundantes. Ela estipula que, todos os dias, 280 crianças brasileiras morrem por doenças causadas pela desnutrição antes de completar um ano.
Para as Nações Unidas, o País, um dos maiores exportadores agrícolas do planeta, produz alimentos em quantidade mais do que suficiente para alimentar todos os seus habitantes. “A questão da fome no Brasil não é sobre a existência ou não, mas sobre o acesso aos produtos”, afirma o documento. A ONU destaca que o Brasil teria alimentos para dar 2,9 quilocalorias por dia para cada um de seus 170 milhões de cidadãos. Mais de 16 milhões de pessoas, porém, vivem com menos de 250 calorias por dia no País, um índice longe do mínimo

recomendável pela ONU de 1,9 quilocalorias por dia.
Segundo a ONU, apesar da abundância de alimentos, são muitas as dificuldades para fazer com que a população seja alimentada. Primeiro obstáculo: salário mínimo insuficiente. Segundo: falta de acesso à terra. Por outro lado, a entidade internacional destaca que alimentos e água continuam sendo usados no Brasil como mecanismos de controle das elites e trocados por votos. Impunidade e corrupção também são citados. E o modelo econômico adotado nos anos 90 está gerando uma exclusão social ainda mais profunda no País.
A desnutrição não está distribuída de forma homogênea. Ela é mais marcante no campo e no Nordeste (17,9% das crianças, contra 5% do Sul). Já nos centros urbanos, os principais atingidos são os favelados, as crianças de rua e os desempregados. De acordo com o Partido dos Trabalhadores, 44 milhões de brasileiros passam fome. Segundo o governo, são 22 milhões. Para a ONU, o número de pobres agora é ainda maior do que em 1981, quando o Brasil somava 52 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza .