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PAPILOSCOPIA
O limite entre a epiderme e a derme não é regular,
mas caracteriza-se pela presença de saliências e
reentrâncias das duas camadas que imbricam e se ajustam
entre si, as papilas dérmicas (Junqueira, 2000).
A Papiloscopia baseia-se na perenidade, imutabilidade, variabilidade
e classificabilidade dos desenhos papilares. Suas bases teóricas
foram descritas primeiramente por Marcelo Malpighi, anatomista
Italiano, em 1664, tendo sido sua classificação
racional e prática definida posteriormente por Juan Vucetichi
(Filho, 1999).
Estas papilas apresentam-se definitivamente formadas desde o sexto
mês de vida fetal, permanecendo inalteradas pelo restante
da vida do indivíduo, não se modificando, a não
ser por acidentes e patologias.
Estes desenhos são variáveis de dedo para dedo e
de pessoa para pessoa, jamais se repetindo, possibilitando sua
classificação pela existência de um pequeno
número de tipos fundamentais.
IDENTIFICAÇÃO POR MINISSATÉLITES DE DNA
Os minissatélites consistem em seqüências de
desoxi-ribonucleotídeos em tandem, de uma unidade curta,
cega do genoma autossômico, sexual ou mitocondrial. Essas
seqüências podem ser denominadas minissatélites
ou VNTRs (número variável de repetições
em tandem) (Filho, 1999). Sabe-se que no DNA humano há
tamanhos de seqüências extremamente variáveis.
Quanto maior o número de fragmentos com tamanhos diferenciados,
maior a variabilidade. Nesse caso, o polimorfismo detectado em
um mesmo locus pode caracterizar indivíduos distintos,
DNA fingerprinting (Jefreys, 1987), sendo de grande interesse
criminalístico.
Os loci de VNTRs em humanos são seqüências de
1 a 15 Kb consistindo em números variáveis de uma
unidade repetida de 15 a 100 nucleotídeos de tamanho. Se
uma sonda de VNTR estiver disponível e o DNA genômico
total for cortado por uma enzima de restrição que
não tem sítio alvo dentro das disposições
de VNTR, uma transferência de Southerm revelará um
grande número de fragmentos com tamanhos diferentes que
são ligados à sonda (Griffiths, 2002).
Esse fato confirma a utilidade dos minissatélites para
o mapeamento genômico, uma vez que apresentam elevada variabilidade
dentro de um mesmo lócus. Sendo esta variação
atribuída à recombinação genética,
não sendo qualitativa mas quantitativa, relacionando-se
ao número de repetições.
REVELAÇÃO E ANÁLISE DE MANCHAS DE PROCEDÊNCIA
BIOLÓGICA
Dentro desta grande área utilizam-se conhecimentos principalmente
da Bioquímica, da Imunologia e da Citologia
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na Criminalística. A caracterização de material
biológico relativo a um crime como manchas encontradas
em cenas e em armas, muitas vezes, é essencial para a investigação.
A mancha de sangue é a de maior importância e a mais
freqüentemente encontrada, particularmente nos locais de
crime contra a pessoa (Zarzuela, 1999). Permitindo estimar a quantidade
de sangue perdida, sua procedência e, muitas vezes, o modus
operandi do criminoso.
Reações que levam em consideração
a oxidação do ferro hêmico, a cristalização
da hemoglobina e os antígenos de superfície dos
eritrócitos são usualmente utilizadas.
Outro material biológico muito pesquisado em Criminalística
é o sêmen. Este constitui um produto de interesse
penal, nos crimes contra os costumes (estupro, sedução,
atentado violento ao pudor) (Zarzuela, 1999).
A formação de cristais de espermina, a dosagem da
fosfatase ácida e a observação microscópica
de espermatozóides são utilizadas para a identificação
deste material.
Os conhecimentos biomédicos são ainda utilizados
para identificar saliva, fragmentos de tecidos humanos, urina,
fezes, leite e variados materiais biológicos de interesse
criminalístico.
LOCAL DE CRIME
Nenhuma das áreas descritas pode ser possível e
confiável se não for bem feito o exame em local
de crime.
Local de crime pode ser definido como a porção do
espaço compreendida num raio que teria por origem o ponto
no qual é constatado o fato, se estenda de modo a abranger
todos os lugares em que, aparentemente, necessária ou presumivelmente,
hajam sido praticados, pelo criminoso ou criminosos, os atos materiais,
preliminares ou posteriores, à consumação
do delito e com este diretamente relacionados (Rabello, 1968).
Na maioria dos locais de crime encontram-se vestígios como
os analisados anteriormente. Estes só terão valor
caso sejam corretamente obtidos e transportados ao laboratório.
Estas operações devem ser feitas por profissionais
que conheçam a importância destas evidências
e os posteriores passos para suas análises. Este papel
é muito bem desempenhado por biomédicos.
CONCLUSÃO:
Este breve trabalho tentou apresentar em termos gerais as implicações
legais dos exames periciais, bem como mostrar ao profissional
biomédico a importância de seus conhecimentos no
âmbito da Criminalística.
Visto que a Ciência Forense tem emergido como um elemento
significativo no esforço de solucionar crimes e manter
a qualidade da justiça (Lee, 1990). Os Institutos de Criminalística
de todo o Brasil apresentam-se abertos à atuação
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do biomédico para auxiliar a investigação
criminal e formar uma Nação mais democrática.
O autor é biomédico, perito criminal do Instituto
de Criminalística Carlos Éboli (PCERJ) e professor
de Bioquímica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
(UFRRJ).
Endereço para correspondência: V1. Jacob Kling, 165A,
Centro, Petrópolis, RJ - CEP 25680-000
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