o
começo de novembro a Prefeitura de São Paulo
informou o cancelamento do pagamento da amortização
da dívida com a União, referente à
parcela de R$ 3,05 bilhões que vencia naquele mês.
Em nota divulgada pela Secretaria Municipal de Finanças,
a Prefeitura alegava que o não-pagamento da parcela
é a decisão que melhor atende aos interesses
do Município, já que o pagamento dos
R$ 3,05 bilhões implicaria em perda imediata
do valor aos cofres públicos.
Essa decisão, além de desestabilizar as costuras
em torno da renegociação da dívida
pública, o que representa um custo financeiro maior
para o País, também onera, e muito, a população
de São Paulo. Pois conforme o acordo, se não
fossem pagos 20% do total da dívida (ou R$ 3,05 bilhões
de cerca de R$ 15 bilhões) os juros anuais da dívida
passariam de 6% para 9%, o que implica num gasto a mais
de R$ 300 milhões. Em outras palavras, a cidade de
São Paulo arcará com mais essa parcela da
dívida em detrimento aos precários serviços
prestados a sua população.
Haja vista a situação da saúde na cidade.
Mesmo após a extinção do Plano de Atendimento
à Saúde (PAS) e a transição
para o Sistema Único de Saúde (SUS), o setor
continua em situação precária. Há
demora no atendimento, |
faltam médicos e remédios, prédios
danificados e equipamentos sucateados, apesar de todo
o empenho do secretário da Saúde Eduardo
Jorge. Na periferia a espera no atendimento demora em
média quatro horas e muitas vezes sem tratamento.
Acredito que o não pagamento dessa amortização
não beneficiará de imediato o atendimento
médico na capital e a população não
só pagará por mais essa parcela como também
não verá melhora na rede municipal hospitalar.
Como deputado federal pelo Estado de São Paulo,
tenho lutado por quatro mandatos no Congresso Nacional
por melhorias na saúde pública, seja na
destinação de verbas federais para as Santas
Casas, hospitais e entidades assistenciais, beneficiando
milhares de pessoas, como também denunciando desvios
de recursos públicos no setor e exigindo das autoridades
municipais competentes ações eficientes
no atendimento médico e hospitalar das cidades,
principalmente para população mais carente.
Portanto, a fiscalização dos recursos públicos
e a participação de toda a comunidade médica
são ações fundamentais para o desenvolvimento
do setor e a continuidade do nosso trabalho. 
Ricardo Izar
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