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Pinotti quer aprimorar o sistema público
a alvorada de um novo governo é oportuno refletir sobre a complexa questão da Saúde Brasileira com um olhar neutro, histórico e estrutural, para suscitar discussão informada das políticas que serão propostas e, quiçá, implementadas. Nos anos 80, com a implantação do SUDS na prática e do SUS na Constituição, formulou-se política coerente com as necessidades do país: descentralização, com o conseqüente controle social, universalização (atendimento a todos) e hierarquização de ações (otimização de recursos). O arcabouço SUS resiste combalido, porém o Sistema Público retraiu-se, recentralizou-se e foi se tornando um conjunto de subprogramas e campanhas verticais, fragmentadas, episódicas que confundem e impedem a atenção contínua, integral e o acesso universal.
Como resultado, temos hoje um sistema de saúde dual: correto na Constituição (o Governo tentou alterá-la, não conseguiu) e deficiente na prática, apesar dos recentes esforços para melhorá-lo. Para avaliá-lo não podemos nos iludir com a quantidade dos atendimentos que, apesar de numerosos, são insuficientes para chegar à universalidade ou com os propagados aumentos de esperança média de vida ou diminuição da mortalidade infantil, que melhoram no mundo inteiro, há muitas décadas, graças à quase involuntária absorção de novas tecnologias.
Não é à toa, portanto, que no IDH estamos em 69º lugar e em situação ainda pior na saúde. Um bom recomeço seria tratar a saúde pela ótica do direito, respeitar a Constituição de 88, valorizar os recursos humanos e aplicar mais

recursos sem impostos em cascata como o da CPMF, que acabou por não aumentar os recursos da saúde, e sem a tibieza da Emenda Constitucional nº 29, de 13.09.00. Para isso, é urgente vincular o orçamento a uma percentagem crescente do PIB, até atingirmos 5%, que é o mínimo aceitável. Mas, acima de tudo usando-os com competência, descentralizando-os para os gestores locais, com avaliação e supervisão contínuas e acabando com a promiscuidade entre público e privado. Os exemplos da Rede Sarah (Brasil) e do Hospital Pérola Byington (São Paulo) mostram que isso é possível. O discurso preventivo precisa deixar de ser excludente (prevenção barata para os pobres, mercadoria de difícil acesso para a classe média e sofisticada para os ricos), deixar de ser parcial, vertical e episódico e vir para a concretude de uma atenção primária moderna e eficiente, nos Centros de Saúde, com integração de ações e delegação de funções.
Saúde não é coisa barata nem simples e não é possível fazer milagres. Precisamos de uma política que se desprenda dos jogos políticos partidários, com princípios universais e prática nacional, não apenas reagindo aos fatos de forma emergencial, mas com programação estrutural que se antecipe a eles para garantir a ética e a eficiência do sistema privado e a organização e aprimoramento do sistema público, que é pré-pago pelos impostos. Trabalhar neste sentido é o meu compromisso.”

José Aristodemo Pinotti

“Saúde não é coisa barata nem simples e não é possível fazer milagres. Precisamos de uma política que se desprenda dos jogos políticos partidários, com princípios universais e prática nacional, com eficiência do sistema privado e aprimoramento do sistema público.”

José Aristodemo Pinotti