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Esperanças renovadas no futuro

Marco Antonio Abrahão

m novo ano está nascendo e aumentam as expectativas com relação ao futuro. No País e na profissão. Grandes desafios surgem. O Brasil terá a partir de 1º de janeiro novos dirigentes com a difícil missão de corresponder à confiança do povo, depositada nas urnas. E a Biomedicina supera etapas rumo ao seu futuro e amplia esperanças.
Todos sonham com reformas de grande alcance, capazes, em última análise, de tornar o Estado brasileiro estruturalmente menos deficitário, problema econômico número um do País. Urge a reforma do sistema previdenciário, que depende de consenso dos interessados — governos, empresários, trabalhadores, funcionários e aposentados. Assim, contar com mudanças de efeito imediato é impossível. Quanto à reforma tributária, pouco se pode esperar, já que o sonho dos brasileiros em geral — a redução da carga de impostos — é inviável no momento, como mostrou o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, ao afirmar que “o que determina a carga tributária de um país é o tamanho da despesa do setor público”. Ou seja: é preciso que a população fique ciente dos limites das reformas pretendidas.
Na área da saúde há também grande expectativa a respeito de soluções a serem apresentadas pelos governantes. Desafios não faltam. Consolidar o Sistema Único de Saúde (SUS) é um deles. Avançar no controle dos planos privados é outro. Há necessidade de assegurar à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mais condição para administrar os conflitos de interesse entre as operadoras, os clientes, os prestadores de serviço e o SUS. O que assusta são os relatórios preliminares da equipe de transição, que detectaram problemas graves e prevêem uma crise na saúde em 2003 — a epidemia de dengue deverá se agravar a partir de janeiro. Esse levantamento também mostra que a questão do saneamento básico ainda é crítica e a situação dos hospitais públicos do País é bem pior do que parece.
Na Biomedicina, apesar das inúmeras dificuldades pelas quais passam os profissionais da área, há confiança. Bem estruturado, o Conselho Regional de Biomedicina irá prosseguir sua luta com o objetivo de realizar seus projetos, importantes para a categoria, entre os quais a conquista da
criação de cargo e carreira nas Forças Armadas, o registro de empresas do setor ao sistema Simples de contribuição e outras que têm sido alvo de preocupações dos biomédicos.
A confiança aumenta porque a Biomedicina passa a contar a partir de janeiro com o apoio de legisladores recentemente eleitos ou reeleitos, como no caso dos deputados federais Lobbe Neto, Ricardo Izar e José Aristodemo Pinotti (ver nesta edição), que sempre demonstraram preocupação com a saúde pública e com os profissionais biomédicos. Certamente irão procurar defender no Congresso os interesses da categoria.
Essa certeza é confirmada por manifestação do biomédico e atual deputado estadual Lobbe Neto na Assembléia Legislativa por ocasião do Dia do Biomédico. “A Biomedicina, curso que ajudei a regulamentar, ainda precisa ser reconhecida em inúmeros setores da sociedade, como as Forças Armadas, por exemplo”.
Com o apoio político poderemos reduzir etapas, avançar mais rapidamente na meta de dar uma nova estrutura para a profissão, com o fortalecimento dos Conselhos Federal e Regionais, o incentivo às associações nacional e estaduais, a criação de confederações federal e estaduais e o fortalecimento dos sindicatos.
Dessa forma, apesar de reconhecer que muitas deverão ser as dificuldades a serem superadas por toda a sociedade brasileira, e pelo profissional biomédico em particular, não podemos deixar de ter confiança e de acreditar que a Biomedicina tem amplas condições para caminhar a passos largos rumo ao futuro.
O momento atual é ímpar. Aprendemos muito no passado, ganhamos experiência administrativa e, plenamente alicerçados, vamos atacar os principais pontos que possam beneficiar a Biomedicina, agora aliados ao apoio político dos parlamentares que são nossos representantes em Brasília. Sabemos do que necessitamos, mas também que teremos o necessário respaldo no Congresso Nacional — o que nos enche de esperança com relação ao futuro.


Marco Antonio Abrahão
é presidente do CRBM – 1ª Região